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André Ventura

Burlas, famosos e burlões

A lei criminal deve procurar a reintegração mas não pode deixar de fazer justiça aos criminosos profissionais.

André Ventura 6 de Junho de 2016 às 00:30
A história surpreendeu o País e agarrou leitores e telespectadores a um enredo que parecia saído de um filme de Hollywood.

Uma VIP conhecida quanto baste e um alegado burlão com ar de respeitado professor envolvidos numa narrativa de justiça: Olivier da Silva, marido de Cláudia Jacques, era detido, a pedido das autoridades francesas, em pleno evento de promoção da boneca ‘Barbie’, e não foram precisos muitos dias para circular por toda a parte uma espécie de história negra do empresário, onde se incluem condenações anteriores em Portugal e suspeitas da justiça gaulesa relativas a negócios em que esteve envolvido. Os novos factos sucedem-se, depois, a uma velocidade lancinante.

Afinal o casamento não era bem casamento, a relações-públicas coloca em causa a relação e descobre-se que Olivier fora já condenado, em 2013, a 4 anos e meio de prisão, com pena suspensa, por tentativa de burla a um concessionário de automóveis.

Vamos ser sérios: não só me parece ridículo que Cláudia venha agora dar a entender que está em choque e que não conhece o homem com quem deu o nó nas Maurícias, como ninguém leva a sério o processo, a começar pelo próprio Olivier. Basta ver o comunicado feito nas redes sociais após a sua libertação. O problema é mais amplo e preocupante: a sociedade portuguesa habituou-se às burlas e aos esquemas manhosos nos negócios. Generalizou-se um sentimento de banalização e desculpabilização.

Volta-se à vida normal – e aos eventos para a fotografia – logo que se ponha um pé fora do primeiro interrogatório judicial. Ora, uma sociedade que relativiza as burlas e as negociatas é uma sociedade que nunca conseguirá combater a corrupção. A lei tem de ser justa e dar uma oportunidade de reintegração. Mas tem de ser implacável com aqueles que fazem da burla modo de vida. Se continuarmos a olhar estes casos como a pantera cor-de-rosa do crime, não nos podemos queixar do Estado e dos políticos que temos.

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A personalidade: António Guterres
Foi apelidado pelo Presidente como "o mais amado" primeiro- -ministro da democracia portuguesa, e o 21º Congresso do PS aplaudiu efusivamente o seu regresso, 16 anos depois, ao som de Vangelis. Está num difícil processo de candidatura ao cargo mais alto da ONU, mas é consensualmente reconhecido como um líder competente e humanista.

Positivo: Seleção
Com uma vitória frente à Noruega e a derrota imerecida perante a formação inglesa, a Seleção Nacional revela-se forte e bem organizada para o Euro 2016.

Negativo: Noite
Uma rixa à porta de um estabelecimento de diversão noturna em Corroios resultou num morto e dois feridos. Continua o sentimento de insegurança em redor destes espaços!
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