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André Ventura

Jornalismo e Estado de Direito

O jornalismo tem um papel fundamental na defesa do Estado de Direito. Não pode ser servil ou submisso.

André Ventura 21 de Dezembro de 2015 às 01:21
Tal como foi amplamente divulgado, o ex-Primeiro-Ministro José Sócrates foi entrevistado na passada semana na TVI por José Alberto Carvalho, naquela que terá sido a maior aproximação aos monólogos televisivos de Marcelo Caetano de que há memória na nossa história democrática.

Que houve inverdades e omissões gritantes, sobretudo sobre as origens e movimentação dos milhões, é um dado objetivo.

Que o animal feroz não é fácil de entrevistar, deve reconhecer-se. Que a entrevista parecia milimetricamente organizada e concertada, parece tão verdade quanto uma equação matemática: Sócrates falou do que convinha e da forma como mais lhe interessava, utilizando a plataforma daquela televisão para sobreviver como político, sabendo que muito mais duvidosa é a sua sobrevivência como suspeito dos crimes de corrupção e fraude fiscal. Tem ou não o jornalismo um papel decisivo na defesa do Estado de Direito?

A questão não é, evidentemente, que o mais mediático arguido da Operação Marquês tenha direito à palavra e à expressão.

Ainda bem que o tem. O ponto fulcral é o jornalismo servil e submisso que se assemelha mais a uma assessoria de imprensa do que à ideia de órgão de comunicação social.

É a concertação de posições e a evidência de cumplicidades que deixam no ar, ao comum dos cidadãos, a existência de qualquer coisa profundamente errada no nosso espaço público. Liberdade de expressão não é só um direito. Jornalismo livre não é só uma marca da democracia.

São igualmente deveres que devem ser honrados com independência e luta incessante pela verdade, doa a quem doer. É por isso que, para mim, como jurista, esta conclusão me parece evidente: a providência cautelar que amordaçou o grupo Cofina foi definitivamente a enterrar na passada semana.

E não é só um direito ao contraditório. É um dever fundamental que, neste momento, se impõe a todos os órgãos de comunicação social dignos desse nome. A todos os leitores do CM, um Feliz Natal!
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