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André Ventura

Nice e os muçulmanos na Europa

Vamos deixar de ser cínicos: estes ataques individualizados colocam em causa a integração das comunidades islâmicas.

André Ventura 18 de Julho de 2016 às 00:41
Há momentos em que o cinismo e o politicamente correto não servem, de todo, para analisar os acontecimentos. É o caso do brutal atentado de Nice.
Não é tanto o número de mortos ou a localização do atentado que surpreende: é a utilização de um meio de transporte ao dispor de qualquer cidadão e a forma aparentemente fácil e desorganizada (eventualmente solitária) como foi planeado e executado. Impôs, na verdade, um novo paradigma: qualquer um pode, no silêncio da sua própria cabeça e na amálgama das frustrações que lhe preenchem a vida, decidir tornar-se um ‘mártir’ ao serviço do radicalismo islâmico. Está à distância de um clique… uma rápida visita a sites fundamentalistas, uma proclamação (também online) de fidelidade ao líder supremo do Daesh e está feito. O resto é com o potencial terrorista: esfaquear pessoas no metro, balear colegas de trabalho ou lançar-se com um camião sobre uma multidão em festa. Pouco interessa. Os poucos passos estão cumpridos e estão reunidos os requisitos para que uns poucos homens de barba e túnicas negras, lá longe na Síria, reivindiquem os ataques.

Não sejamos cínicos: este terrorismo individualizado e desorganizado levanta sérios problemas à integração das comunidades islâmicas na Europa. Não havendo um processo de radicalização ou de adesão doutrinária, qualquer um, de raízes muçulmanas ou convertido, se torna uma potencial ameaça. Pior: uma ameaça muito difícil de detetar.

Já não vale nem basta o discurso habitual: não se pode confundir a parte pelo todo, são apenas alguns dentro da comunidade, nada tem a ver com religião! Não deixam de ser ideias verdadeiras e coerentes, mas não resolvem o problema. Pode ser polémico e politicamente incorreto mas não vou deixar de o dizer: é fundamental reduzir drasticamente a presença e a dimensão das comunidades islâmicas dentro da União Europeia. Não é só uma questão de segurança, mas de sobrevivência da nossa democracia.
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