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António Jaime Martins

Sísifo

No nosso caso, o Sísifo é simplesmente um masoquista estulto.

António Jaime Martins 15 de Março de 2017 às 00:30
Esta semana, numa conferência meritoriamente promovida pela Associação 25 de Abril em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian, o Presidente da República (PR) referiu-se a propósito do estado da justiça à lenda de Sísifo.

Sísifo, à semelhança de Prometeu, encarnava na mitologia grega a astúcia e a rebeldia dos humanos frente ao divino. Mas a sua audácia foi castigada por Zeus, que o condenou a empurrar, eternamente, ladeira acima, uma pedra que ao atingir o topo da colina rolava de novo para baixo. A lenda é referida pelo PR para simbolizar os avanços e os recuos da justiça portuguesa durante os mais de 40 anos de democracia.

Discordo, parcialmente, do PR, porque mo permite a democracia que discorde. E, o mais notável na democracia, é que me permite a ousadia de escrever que discordo do PR. E discordo, porque, na ‘Odisseia’, Sísifo representava a astúcia e a audácia. Ora, no caso da justiça portuguesa, o Sísifo somos todos nós que insistimos nos mesmos erros década após década, retirando aos tribunais o que é dos tribunais, privatizando o que deve ser jurisdicional.

No nosso caso, o Sísifo não é astuto, é simplesmente um masoquista estulto. E por isso, e só por isso, a comparação foi infeliz.
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