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Armando Esteves Pereira

Pesada herança

A riqueza gerada em 2019 só vai ser recuperada em 2022 ou 2023.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 9 de Junho de 2020 às 00:32
O Orçamento Suplementar é a inscrição do primeiro impacto da pandemia nas contas públicas. O aumento da despesa, a queda da receita, o regresso dos défices e o acréscimo brutal da dívida pública são consequências do apagão provocado pelo vírus que veio da China.

Mas os custos económicos reais da pandemia serão sentidos ainda por muitos anos. Mesmo que não haja uma segunda vaga do vírus, só no final de 2022 ou mesmo em 2023 é que retomaremos o nível de riqueza gerada em 2019.

A pandemia também provocou outras mudanças profundas na economia e na sociedade. Nunca tanta gente dependeu diretamente do Estado como agora. Das mais pequenas firmas que recorreram ao layoff, às grandes companhias, que colocaram a Segurança Social a subsidiar os salários dos seus colaboradores, aos recibos verdes e trabalhadores por conta própria que ficaram sem negócio, são muitos milhões de pessoas que dependem do cheque público.

Mesmo que venha a prometida chuva de milhões de Bruxelas, esta pressão vai penalizar os cofres públicos. Medidas de austeridade imediatas são proibidas, mas a degradação das contas públicas vai deixar uma pesada herança para o futuro.
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