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Armando Esteves Pereira

Destinos cruzados do poder

Não deixa de ser irónico que os dois homens mais poderosos dos seis anos que antecederam o resgate financeiro de Portugal enfrentem agora a Justiça como arguidos.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 23 de Novembro de 2014 às 00:30

Não deixa de ser irónico que os dois homens mais poderosos dos seis anos que antecederam o resgate financeiro de Portugal enfrentem agora a Justiça como arguidos. Funcionaram como um tandem, dos mais poderosos da história democrática. Salgado serviu o poder político de Sócrates e serviu-se dele para consolidar o poder do Grupo Espírito Santo à conta do ocaso do BCP, onde Sócrates, através da Caixa e de Vítor Constâncio, teve participação ativa.

Juntos, endividaram os contribuintes por muitas gerações à conta de parcerias público-privadas ruinosas para os cofres públicos. Juntos, decidiram o futuro da PT, com Sócrates a forçar o casamento, que viria a tornar-se fatal, com os brasileiros da Oi.

Sócrates levou o País à ruína, mas há fundadas suspeitas de que enriqueceu ilicitamente. Salgado destruiu o capital de crédito de uma dinastia de quase 150 anos, mas, ao que consta, também tem milhões seguros em paraísos. Houve outras empresas com estatuto de favoritas no socratismo, desde a JP Sá Couto à Martifer, mas ninguém teve a influência de Salgado, que, à beira do precipício, quando o crédito externo desaparecia, abandonou Sócrates, exigindo o resgate pela troika. 

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