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Assunção Cristas

Gato escondido com rabo de fora

O OE para 2017 é o verdadeiro orçamento oculto. Em menos de 15 dias, teve duas versões.

Assunção Cristas 3 de Novembro de 2016 às 01:46
O OE para 2017 é o verdadeiro orçamento oculto. Em menos de 15 dias, teve duas versões. Debaixo da primeira, estava uma outra, só conhecida após forte insistência dos partidos da oposição.

É por isso que, de repente, a Educação, que supostamente receberia mais 180M€, afinal vai perder 170! E mais, ficámos a saber que a despesa neste orçamento é certa e perdura no tempo, mas a receita que a vai sustentar é tudo menos duradoura: o orçamento está pendurado em receitas excecionais, que se verificam uma única vez (300M€ do Banco de Portugal e 450M€ da garantia do BPP).

Mas António Costa não está preocupado. Nunca está preocupado, está sempre sorridente e confiante. Mas há um momento em que o distanciamento da realidade transforma o otimismo em tolice. Quando a dívida pública não diminui e os juros vão progressivamente crescendo, temos razões para grande preocupação.

Quando os nossos juros sobem consistentemente desde janeiro (e já estão um ponto acima de há um ano), quando são os únicos (com os gregos) a aumentar e os outros diminuem, e quando temos um orçamento que passa ao lado desta realidade, há razão para atenção máxima.

O orçamento é tão oculto que, ao que parece, o Primeiro-Ministro não planeia dar a cara por ele. Atira para a linha da frente o Ministro das Finanças, o número 4 na hierarquia do Governo, e reserva-se para o encerramento, quando já ninguém lhe pode fazer perguntas.

Já sabíamos que o PM era hábil e ardiloso, com este orçamento ficámos a saber que lhe foge o pé para a cobardia.

Um Orçamento para as pessoas: era bom era!
Na semana passada, votou-se o orçamento da Câmara de Lisboa para 2017 (775 milhões de euros). Entre impostos e taxas, a CML prevê arrecadar mais 40 milhões de euros (28 dos quais em impostos diretos). O CDS votou contra este orçamento. Defendemos, de forma responsável, o desagravamento fiscal dos lisboetas, através de uma maior devolução de IRS. A nossa proposta foi chumbada.

Não é com este orçamento que damos a volta ao envelhecimento da cidade, não é assim que trazemos gente nova e permitimos que as famílias se fixem e cresçam na cidade. Mas Fernando Medina só parece preocupado em fazer obra e mais obra, e por isso não s e importa de arrecadar mais e gastar mais.

Se há mais previsão de receita, nomeadamente em IMT, então aproveite-se para aliviar as pessoas. Talvez se devolvesse um pouco de rendimento às famílias, como o CDS defendeu, as coisas começassem a mudar e Lisboa deixasse de ser a cidade mais envelhecida da Europa.

Prémio Sakharov para jovens yazidis
Nadia Murad e Lamiya Aji Bashar receberam do Parlamento Europeu o prémio Sakharov para os direitos humanos. Estas jovens yazidis, de 23 e 18 anos, foram capturadas e tornadas escravas sexuais do autodenominado Estado Islâmico. Hoje dão o seu testemunho com coragem e tenacidade. Lutam para proteger mulheres e crianças e para que este massacre na Síria seja reconhecido como crime de genocídio.

A mentira é insuportável
Ninguém é obrigado a ser licenciado nem uma licenciatura, só por si, é garantia de competência, mas é inadmissível que alguém se faça passar falsamente por licenciado. Que isto aconteça com um chefe de gabinete no Ministério da Educação é particularmente grave. A mentira é insuportável. O ministro, se sabia e consentiu, tem de dar explicações e deve refletir sobre se tem condições para continuar.

Um grande artista em qualquer parte
António Ole, artista plástico angolano, interpela-nos profundamente na retrospetiva que podemos ver em Lisboa no Museu Gulbenkian – Coleção Moderna. Gostei em particular da fotografia, que conhecia pior, mas também de pinturas como ‘Mapa’, tão africanas quanto universais. Ole é grande em qualquer parte do mundo. Visita obrigatória, até janeiro. Domingo à tarde, como sempre, a entrada é gratuita.
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