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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Boss AC

Anda comigo ver os aviões

Adoro o calor humano do vizinho do lado a disputar a minha metade do encosto.

Boss AC 27 de Setembro de 2015 às 00:30

E lá vou eu de viagem mais uma vez. Pena ainda não terem inventado o teletransporte. Isso é que era. Entrar numa câmara e em segundos sair noutra a milhares de quilómetros de distância. Ficção científica. O conceito de avião, ainda há relativamente pouco tempo, também o era. É impressionante pensar que uma máquina gigantesca, com centenas de toneladas e centenas de passageiros, possa levantar voo. Mais impressionante é pensar que, de tempos em tempos, desaparece um avião sem deixar rasto. Afinal o que aconteceu ao voo MH370 da Malaysia Airlines?

Se lá estivesse algum português que devesse ao Fisco, já teriam encontrado o avião. "Ah, mas o avião onde eu seguia despenhou-se no mar!" já vejo o inspector a dizer: "Sim, sim. Eu também fiquei sem um pneu em plena auto-estrada e não é por isso que deixei de pagar os impostos!". Enfim. Há coisas bem melhores para pensar em dia de viagem.


Adoro as longas esperas no aeroporto, mais ainda quando os voos se atrasam. Adoro as filas para passar na segurança e ter que tirar o cinto, os sapatos, o computador e os líquidos até 100 ml. Acho bem que proíbam os líquidos, não vá alguém lembrar-se de fazer um explosivo com um frasco de "Paco Rabanne pour homme".


Adoro o ar gelado nos aviões. E os vídeos de segurança que ninguém vê mas deviam ver? Prefiro as mímicas dos comissários a dançar break-dance. "É favor manter o cinto apertado durante todo o voo". Nem é preciso dizer. Cheira-me que o País vai andar de cinto apertado durante toda a década.


Ocorre-me perguntar: se a caixa negra é indestrutível porque não fazem o resto do avião do mesmo material para que também o seja?

Adoro o calor humano do vizinho do lado a disputar a minha metade do encosto. Adoro quando o vizinho da frente reclina a cadeira e o espaço, já de si exíguo, se torna claustrofóbico e me deixa com os joelhos encravados na cadeira da frente. Já há companhias a propor que se viaje de pé. Assim cabe mais gente. Ainda acabam a pôr asas nos autocarros da Carris.


A primeira classe é melhor. Nem é pela comida, é pelo conforto. Desde que vá confortável, até me podem dar a comer pão seco. "Desculpe, quais são as opções para o jantar?" e responde a hospedeira: "Sim ou não!" A sorte é que quando se viaja em grupo, há sempre um amigo disposto a dar o pãozinho e o queijo que não comeu.


Adoro os voos de 10 horas. Principalmente se houver bebés por perto a chorar do início ao fim da viagem. Assim até custa menos. Adoro viajar mas o que realmente adoro é aterrar em Lisboa e saber que estou de volta a casa, são e salvo.
 
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