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Boss AC

Casamento alegre

Enquanto sociedade, temos um longo caminho a percorrer no que diz respeito à tolerância

Boss AC 19 de Julho de 2015 às 00:30

Domingo passado ao final da tarde, estava ali no Cais do Sodré sentado numa esplanada quando passam dois homens de mão dada.

Um casal de meia-idade sentado ao meu lado, visivelmente incomodado, comenta entre si: "Isto é uma vergonha! Cada vez há mais disto! Agora eles até já se podem casar." Concordei em parte. Realmente é uma vergonha achar que temos o direito de decidir o que cada um faz com a sua vida. O que nos dá o direito de querer decidir o que cada um escolhe para si?

Em que é que o facto de duas pessoas do mesmo sexo se escolherem como parceiras interfere na nossa vida? Um amigo disse-me uma frase que se aplica que nem uma luva: "Irritam--me pessoas que não se movem em busca da sua felicidade, mas que se movem para impedir a felicidade dos outros."

Enquanto sociedade, ainda temos um longo caminho a percorrer no que diz respeito à tolerância. O casamento entre pessoas do mesmo sexo, que já é legal no nosso país, continua a ser um assunto delicado e controverso. Parece-me que discriminar o casamento de duas pessoas do mesmo sexo é exactamente o mesmo que discriminar o casamento inter-racial ou o casamento de duas pessoas de religiões diferentes.

Sou da opinião que não é um papel assinado que valida o amor entre duas pessoas mas, legalmente, é isso que é o casamento. Aliás, tenho uma ideia, que pode parecer pouco romântica, mas que me parece bastante prática: o casamento, seja ele heterossexual ou homossexual, devia ser um contrato renovável de um ano. Se nenhuma das partes denunciar o contrato até um mês antes do término, renova-se por igual período. Assim ninguém se chateava e poupava-se muita burocracia e chatices.

Cada um que faça e assuma as suas escolhas e se case com quem quiser. Quando vejo pessoas terem atitudes de extrema homofobia, desconfio. Será que se sentem ameaçadas? Não faltam casos de pessoas com vidas duplas e com famílias a fingir, vidas dissimuladas para manter as aparências de serem pessoas ‘normais’ e que secretamente são gays.

Acho que um homem esclarecido e confiante na sua sexualidade não deve ter problemas em elogiar outro homem. Eu, por exemplo, acho aquele rapper mulato, o... como é que ele se chama? Lembrei-me, Boss AC. Acho-o um rapaz muito bem-parecido. E isso não faz de mim gay. No máximo, talvez eu seja lésbica porque toda a minha vida gostei de mulheres. É isso, sou ‘lésbico’!

Conselho para quem desaprova o casamento homossexual: não se casem com uma pessoa do mesmo sexo. Pronto. Resolvido.

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