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Boss AC

O cartaz mais bonito

"Brinquem com as pessoas, não respeitem os números".

Boss AC 16 de Agosto de 2015 às 00:30

Dia 4 de Outubro teremos em Portugal eleições legislativas e os partidos políticos já começam a apresentar as respectivas campanhas. Com os primeiros cartazes na rua, vieram as primeiras polémicas. Que o diga o PS.

É provável que Dr. António Costa discorde da velha máxima da publicidade que diz "falem bem ou falem mal, o que interessa é que falem". É que os cartazes do PS têm trazido muita publicidade negativa.


Supostamente, foram usadas fotos de pessoas que nada tinham a ver com as histórias retratadas. Desempregados que tinham emprego e emigrantes que não emigraram. E que não autorizaram o uso das fotografias. Num desses cartazes lia-se: "Estou desempregada há cinco anos sem qualquer subsídio ou apoio, como eu, são mais de 353 000."

Acontece é que alguém se esqueceu de fazer contas e perceber que há cinco anos quem estava no poder era o PS. Mais irónico é o slogan que acompanha os cartazes: "Não brinquem com os números, respeitem as pessoas." Até parece que os cartazes foram encomendados ao PSD.


O mais correcto talvez fosse o slogan ser: "Brinquem com as pessoas, não respeitem os números." Porque parece ser isso que se faz quando é altura de ir à caça de votos. Usam as estatísticas como armas de propaganda. Só que as estatísticas podem ser muito dúbias e facilmente manipuláveis. Cada um interpreta os números da forma que lhe é mais conveniente. Fala-se em redução das taxas de desemprego mas depois não se toma em conta que muita dessa redução se deve ao envelhecimento da população e à emigração, por exemplo. Números e mais números. Acontece é que as pessoas não são números.


A política é-nos vendida como outro produto qualquer e quando o objectivo é vender, os meios justificam os fins. Não vejo grande diferença entre as campanhas políticas e os anúncios das pílulas milagrosas que prometem aumentar o tamanho do ‘coiso’. A diferença é que é mais fácil as pílulas fazerem efeito do que os políticos honrarem os seus compromissos.


Há uma eterna desconfiança em relação à classe política e talvez assim se explique porque há tanta abstenção em tempo de eleições. Mas mesmo com todo esse descrédito, creio que não devemos abdicar do nosso direito e dever de votar. Em caso de dúvida, podemos sempre votar no cartaz mais bonito. Ou atirar a moeda ao ar.


Entretanto, parece que o PSD foi à caça de um figurante francês num banco de imagens. Não havia ninguém disponível na Junta de Freguesia de Arroios?
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