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Boss AC

Pipoca

Há uma linha que separa a conquista do assédio.

Boss AC 19 de Abril de 2015 às 00:30

Até podia ter sido em frente a alguma obra. Mas não foi. Foi em frente a uma oficina. Podia ter sido noutro lugar qualquer. Um homem, que presumo mecânico, a julgar pelo macacão sujo de óleo, ao ver passar uma mulher voluptuosa na casa dos vinte e poucos anos, depois de lhe assobiar, diz-lhe assim: "És boa comó milho!"

O que seria suposto ela responder numa situação dessas? Será que ele espera ouvir dela "Obrigado. Sinto-me verdadeiramente honrada de poder ser comparada a tão egrégio cereal! O meu sonho é ser pipoca! És um querido. Olha, fica com o meu número de telefone e liga-me para sairmos logo à noite"?

Ela fez cara de poucos amigos e continuou o seu caminho com justificada indignação, ao que o homem do macacão acrescenta: "Com um rabinho desses, deves c*g*r bombons!"


Amigo Don João, não sou médico, mas aposto que a menina, eventualmente, expele tudo o que come. Sejam bombons ou bacalhau com natas. Também me parece que o tamanho ou forma do traseiro em nada influem no trânsito intestinal. Aproveito para te perguntar se essas tácticas avançadas de sedução costumam dar resultado. Tenho curiosidade em saber se esses poemas acerca das necessidades fisiológicas são atraentes para o sexo oposto.

Há uma linha, por vezes muito ténue, que separa a conquista do assédio. O elogio do insulto. A brincadeira do desrespeito. O problema não é sentires-te atraído por uma desconhecida, porque mesmo a tua mulher, caso sejas casado, antes de a conheceres também o era. O problema talvez seja a forma como manifestas essa atracção. 
Sábio é aquele que pensa em tudo o que diz. Não o que diz tudo o que pensa. Às vezes é melhor deixar as pessoas pensarem que somos parvos do que abrir a boca e provar-lhes que estão certas.


Também me ocorrem vários poemas quando vejo uma gaja boa, mas guardo-os para mim. Ainda que às vezes os use em músicas. Mas isso é outra conversa.

"A nossa liberdade acaba quando começa a dos outros" aplica-se bem neste caso. Uma pessoa tem o direito de andar na sua vida sem ser importunada. Seja mulher ou seja homem. Sim, porque os homens também são vítimas de piropos.

Uma mulher disse-me assim: "Quero que saibas que estou sem meias e a minha cueca combina com as minhas meias." Considero-me um cavalheiro e por isso prontifiquei-me a tirar as minhas meias para lhe dar. Cheguei mesmo a dizer-lhe que, se ela precisasse, até mesmo as calças e as cuecas tirava para lhe emprestar. Vês a diferença?
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