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Carlos Anjos

Fugas de informação

A entrega do suspeito da morte de um adepto do Sporting colocou a sua vida em perigo

Carlos Anjos 3 de Maio de 2017 às 00:30
Criou-se a ideia de que é a Polícia Judiciária (PJ) ou o Ministério Público que passam, de forma criteriosa, informações aos media. E esta era uma verdade adquirida. Parece no entanto que os tempos mudaram, ou estávamos todos enganados. No caso Pedro Dias, todos vimos a forma como a defesa tratou da sua entrega à PJ, sendo que a forma como foi feita é, pelo menos eticamente, criticável, para ser apenas moderado.

Veio agora a detenção do elemento dos No Name Boys - claque não legalizada do Benfica -, suspeito da morte do adepto do Sporting junto ao Estádio da Luz. Foi com espanto que soube e assisti à sua entrega pela televisão.

Assaltaram-me diversas dúvidas. A primeira, se a entrega teria sido combinada com a PJ. Mas para ocorrer quase no fim da hora de almoço e por não estar ninguém à porta à espera do suspeito, duvidei do facto. Depois, se fosse combinada, o suspeito teria entrado nas instalações da PJ de carro e ninguém tinha visto nada. A minha admiração foi maior quando o táxi que o transportava não parou à porta da PJ de Lisboa, onde existe uma praça de Táxi. Se parasse aí, o suspeito andava meia dúzia de metros até à PJ e ninguém o via. Também não parou à porta do edifício novo. Parou na praça José Fontana e depois fez o resto do caminho a pé.

Por último, ninguém conhecia o Luís Pina. Então como é que os jornalistas o identificaram naquela rua? Por ir com um advogado? Mas isso é o normal naquele local. Ou sabiam quem era e com que advogado ia? Não sei. Mas foi uma loucura dá-lo a conhecer daquela forma. Ele é suspeito de um crime grave e, se tivesse sido solto, todos os elementos das outras claques sabiam quem ele é.

Aquela entrega, naqueles modos, colocou a vida de Luís Pina em perigo. E desconfio que destas duas vezes a fuga de informação não foi de todo dos suspeitos do costume. Mas, destas fugas, ninguém fala.

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