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Carlos Anjos

Forma e conteúdo

Em Portugal estaríamos a discutir a ação dos jornalistas.

Carlos Anjos 30 de Setembro de 2016 às 00:30
Sam Allardyce era até ontem o selecionador inglês de futebol. Dois jornalistas do ‘Daily Telegraph’, munidos de uma câmara oculta e fazendo-se passar por empresários, gravaram uma conversa com ele em que o convencem a colaborar, a troco de muito dinheiro, num esquema de passar os direitos desportivos de futebolistas para um fundo privado de investimento. A gravação dessa conversa foi divulgada pelo jornal, e o treinador apresentou de imediato a sua demissão.

O escândalo à volta deste caso é enorme, podendo haver mais treinadores envolvidos. Se este caso se tivesse passado em Portugal, a situação seria totalmente diferente, pois não estávamos a discutir o comportamento corrupto do treinador, mas a ação dos jornalistas, que gravaram ilicitamente uma conversa privada, certamente contra a vontade do visado.

Em Inglaterra, está-se a dar mais valor ao conteúdo dos factos; não se pode ter um selecionador corrupto, sendo que o ato do treinador é mais grave do que o comportamento dos jornalistas. Por cá, a situação seria diferente. Um corrupto até podemos tolerar, agora a recolha da prova daquela forma seria inaceitável. É a vida, uns dão mais valor ao conteúdo, outros preferem discutir a forma.
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