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Carlos Anjos

Vergonha

Urge apurar responsabilidades e o paradigma destas investigações.

Carlos Anjos 1 de Setembro de 2017 às 00:30
A investigação de pessoas desaparecidas tem sido o calcanhar de Aquiles das Polícias. Como o desaparecimento voluntário não é crime, as polícias têm tido alguma incapacidade de responder as estas situações.

Com os menores as coisas mudaram sensivelmente a partir do caso ‘Rui Pedro’ e hoje, a resposta ao desaparecimento de um menor, é imediata. Já com os adultos, as coisas são substancialmente diferentes, havendo polícias que só aceitam a comunicação de desaparecimento de um adulto, 48 horas depois da pessoa desaparecer, naquilo que é um erro trágico.

Este período temporal significa apenas a diferença entre encontrar a pessoa morta ou viva. É pois um erro brutal, como brutal e desumano é dizer a alguém que está aflito porque lhe desapareceu um filho ou um irmão, que só 48 horas depois é que se começa a fazer alguma coisa. Tudo isto a propósito do que aconteceu no desaparecimento de Pedro Palma.

A forma como este caso foi tratado, envergonha as Polícias e o País. A inação das Polícias neste caso foi trágica e pode ter significado a diferença entre encontrar a pessoa viva ou morta. Urge apurar responsabilidades, bem como mudar o paradigma deste tipo de investigação, como forma de respeitar as pessoas e a própria Polícia. Como Polícia, sinto-me envergonhado com o que aconteceu.
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