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Carlos Anjos

O DDT

Ricardo Salgado está a saborear muito do fel que semeou ao longo dos últimos anos.

Carlos Anjos 12 de Dezembro de 2014 às 00:51

A vida é ingrata, mas é mesmo assim. Ricardo Salgado está a saborear muito do fel que semeou ao longo dos últimos anos. Mas há uma coisa curiosa em Ricardo Salgado. Que ele não era o gestor sobredotado que todos julgávamos que era, já todos sabíamos. Que ele não pensava nem no país, nem nas suas empresas, mas apenas na sua vidinha e na dos seus familiares mais próximos, também todos sabíamos.

Mas afinal, Ricardo Salgado encarna o pior do ser português: a capacidade de desculpabilização relativamente a tudo o que aconteceu. O homem não teve culpa de nada. A culpa tem de ser repartida pela crise internacional, que afogou o grupo BES, pela família que não trabalhava e não o apoiou, por Cavaco Silva, Carlos Moedas, Durão Barros, Passos Coelho, a Ministra da Finanças e o Governador do Banco de Portugal, que não o ajudaram, não lhe deram tempo e ainda o traíram, pelo contabilista que sem ele saber e a troco de nada resolveu falsificar as contas do grupo.Tudo sem ele saber, tudo sem ele ter conhecimento.

Afinal, todos decifrámos mal a sigla DDT. Pensávamos que a tradução era Dono Disto Tudo, quando afinal o que queria dizer era o Desgraçado Disto Tudo.

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