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Carlos Anjos

Violência no namoro

Números mostram que a agressão não só é tolerável como aceite.

Carlos Anjos 17 de Fevereiro de 2017 às 00:30
A UMAR apresentou os resultados de um novo estudo sobre a violência no namoro e os resultados não auguram nada de bom relativamente ao futuro. Nesse estudo, analisam-se três tipos de violência: psicológica, física e sexual. Relativamente à violência sexual, 32,5% dos rapazes e 14,5% das raparigas acham normal que se obrigue o outro a ter sexo. A violência psicológica é encarada como aceitável por um quarto dos jovens e 8,5% consideram já ter sido vítimas dela.

Já a violência física é menos tolerada, mas ainda considerada legítima por 9% dos inquiridos. As agressões no namoro só foram incluídas no âmbito do crime de violência doméstica em fevereiro de 2013. Só em 2015, a PSP recebeu mais queixas por violência no namoro do que por violência entre cônjuges, mas 77% dos inquéritos abertos acabam arquivados por falta de prova. Os números mostram a nossa debilidade social, onde a agressão contra o outro, seja sexual, psicológica ou física, é não só tolerada como aceite. Continuo a pensar que enquanto este problema não for atacado na infância, explicando às crianças que a violência não pode nunca ser aceite e que é sinal de fraqueza de quem a pratica, estes números terão tendência a agravar-se.
PSP questões sociais crime lei e justiça maus-tratos delinquência juvenil
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