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Carlos Moedas

5.7 e a importância dos movimentos políticos

A divisão política hoje não é só entre a direita e a esquerda, mas também entre um mundo aberto e um mundo fechado.

Carlos Moedas 29 de Março de 2019 às 00:30
Nasceu um novo movimento político em Portugal chamado Mov 5.7. Não faço parte deste movimento, mas conheço e respeito muitos dos que o criaram. É mais um sinal da transformação que estamos a viver na política não só em Portugal mas também na Europa: as pessoas querem respostas aos seus problemas e elas não virão só dos partidos políticos.

Por isso pareceu-me muito interessante que, ao contrário de tantos movimentos que nascem por essa Europa fora, o 5.7 não se apresenta por oposição aos partidos. Pelo contrário, proclama como principal objetivo ajudá-los a discutir ideias e apresentar alternativas que melhorem Portugal.

Pareceu-me também muito relevante que este movimento apresente uma identidade de direita, sem ambiguidades, o que demonstra uma bem-vinda frontalidade. A política portuguesa tem uma tendência para o "unanimismo" no pensamento socialmente aceite. Parece-me, portanto, saudável que nasça um novo movimento que seja claro no seu posicionamento político.

Algumas reservas que espero que o tempo dissipe: a divisão política hoje não é só entre a direita e a esquerda, mas também entre um mundo aberto e um mundo fechado. Entre os que acreditam numa Europa forte e solidária, capaz de resolver problemas globais a uma só voz, ou numa Europa fraca dominada por acordos bilaterais, sem olhar ao interesse geral. Com a proximidade das eleições europeias, seria importante perceber onde se situa o Movimento neste ponto. O manifesto apenas refere que quer uma Europa como âncora para Portugal e que não quer um Super-Estado Federal. Mas entre estes dois extremos há um oceano de soluções e possíveis modelos Europeus.

A segunda reserva é que seria importante terem começado logo com 5 ou 6 propostas concretas para o País. É importante debater ideias e valores. Mas é também importante apresentar recomendações de políticas públicas que os ponham em prática. Se o Movimento 5.7 quer realmente ajudar os partidos terá que trazer propostas concretas rapidamente.

Em resumo, uma iniciativa bem-vinda, mas que apenas conquistará o seu espaço se conseguir vir a apresentar propostas sólidas e com potencial para melhorar o País. Se o fizer, melhorará a direita portuguesa, mas também a esquerda, pois criará uma competição saudável no debate de ideias que o País tanto precisa.

João Vasconcelos
Soubemos esta semana da morte inesperada de João Vasconcelos. Conheci-o em 2014 quando iniciei as minha funções como Comissário Europeu e a partir daí criamos uma amizade que durou estes anos. Não éramos do mesmo partido e tínhamos ideias políticas diferentes, mas era a paixão pela inovação e pela tecnologia que nos ligava.

O João era um homem cheio de energia positiva, daquela que nos contagia e nos enche a alma. Sempre pronto para a ajudar os outros e transmitir essa energia aos empreendedores e inovadores.

Lembro-me bem da primeira visita que fizemos ao WebSummit e em que passámos horas a ouvir jovens que nos iam contando as suas histórias - e os olhos do João brilhavam como se ele também fosse parte da história sem nunca se cansar. A verdade é que ele era parte da história, e vivia cada história para poder ajudar quem se cruzava com ele. Lembro-me nessa tarde de sentir e ver que aquele brilho que ele tinha nos olhos era a sua maior força, pois de certa forma transmitia autoconfiança a quem falava com ele.

Ele ajudava os jovens a acreditar neles próprios. Era essa a grande força do João que não esqueceremos, e que nos vai fazer muita falta.

Diretiva sobre direitos de autor 
A solução finalmente aprovada é equilibrada, reconhece o valor da criação na era digital, incentiva a uma remuneração justa dos artistas, responsabiliza as plataformas, defende editores e jornalistas, preserva a liberdade dos utilizadores e promove a investigação e o ensino com regimes excecionais.

NASA cancela missão feminina 
Estava prevista para hoje a primeira caminhada espacial apenas feminina, por Anne McClain e Christina Koch. Acabou cancelada pela NASA devido à falta de fatos espaciais com o tamanho certo para mulheres. Uma delas será substituída por um homem. Das 500 pessoas no espaço, apenas 11% eram do sexo feminino.

35% 
São os ativos da UE controla-dos por estran-geiros, 16 milhões de postos de trabalhos e 3% do total das empresas europeias. Na última década houve um aumento do investimento estrangeiro na UE, de economias emergentes. Daí a importância de a Comissão ter proposto um escrutínio dos investimentos diretos estrangeiros.
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