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Carlos Moedas

A Europa também joga à Defesa

Dois discursos ilustram bem as atuais diferenças de perspetiva entre americanos e europeus.

Carlos Moedas 22 de Fevereiro de 2019 às 00:30
No fim de semana passado, reuniram-se em Munique os líderes mundiais para discutir o tema da Segurança Internacional. Os dois discursos que mais marcaram esta conferência ilustram bem as atuais diferenças de perspetiva entre Americanos e Europeus.

De um lado, Mark Pence, Vice-Presidente dos Estados Unidos, elogiou a política isolacionista Americana, afirmando que os EUA estão mais fortes do que nunca. Do outro lado, a Chanceler Alemã Angela Merkel defendeu o multilateralismo, apresentando-o como condição para a paz e prosperidade. Replicou assim o sentimento de muitos Europeus.

Esta clivagem transatlântica dá mais um sinal que os países Europeus devem agir em conjunto e articular forças na área da Defesa. Cooperar é aqui essencial uma vez que nenhum dos Estados Europeus tem capacidade para enfrentar sozinho desafios como o terrorismo global ou a acelerada militarização da Rússia e da China. Com os EUA cada vez mais longe, o futuro da segurança Europeia passa por afirmar a UE como um bloco coeso e autónomo, capaz de garantir a sua própria segurança.

Mas o nível de cooperação entre os Estados-Membros é ainda muito reduzido, gerando situações de grande ineficiência. Muitos Estados-Membros lançam onerosos programas de investimento militar sem se articularem com os seus vizinhos. Desenvolvemos assim diversos tipos de helicópteros e fragatas para desempenhar essencialmente as mesmas funções. O resultado é uma evidente duplicação de investimentos, com um desperdício anual que pode chegar aos 100 mil milhões de Euros.

Paralelamente, a multiplicidade de equipamentos impede que os Europeus unam forças em caso de ameaça externa. Por exemplo, os Estados-Membros operam no seu total 17 tipos de tanques e 29 modelos de navios de guerra. Isso faz com que não estejam treinados para utilizar os tanques e navios uns dos outros, tornando caótica a coordenação num conflito em que lutem lado a lado. Por sua vez, os EUA operam apenas um tipo de tanque e 4 navios de guerra.

Esta semana, a UE chegou a acordo para criar um instrumento que permitirá um trabalho conjunto na área da Defesa. O novo Fundo Europeu de Defesa disponibilizará 1.500 milhões de Euros por ano para investigação e desenvolvimento de soluções e equipamentos que possam ser aplicados em vários Estados-Membros.

O Fundo vai trazer uma maior eficiência na gestão de recursos, promovendo um planeamento articulado e inteligente dos investimentos militares na UE. Além disso, irá reforçar a segurança dos Europeus, pois permitirá que diferentes Estados-Membros operem os mesmos equipamentos, podendo juntar forças em caso de necessidade.

Mostramos assim que a Europa também sabe jogar à Defesa.

Política inclusiva
No fim de semana o PSD reuniu em Santa Maria da Feira mais de 1500 pessoas para discutirem ideias e propostas políticas para o futuro de Portugal. Foi um dia diferente em que o partido se abriu verdadeiramente à sociedade civil ouvindo e trabalhando em conjunto com muitos cidadãos que nunca tinham estado num evento partidário.

Participei num debate com reitores, professores, alunos e funcionários de instituições universitárias que expuseram as suas preocupações de forma clara, dando sugestões para o futuro do ensino superior, da ciência e da inovação.

No passado os partidos eram de certa forma centralizados e detentores de uma sabedoria política que transmitiam aos cidadãos. Vivíamos num mundo físico em que as instituições eram verticalizadas e piramidais.

Hoje os partidos têm que passar a ser plataformas de troca de informação com a sociedade civil para que os cidadãos, mesmo não sendo membros de um partido, sintam que os seus contributos são incorporados no pensamento dos partidos.

A crise em França dos coletes amarelos é um sinal destes novos tempos. Num mundo digital as pessoas querem construir o futuro com os partidos em pé de igualdade. A nossa missão será encontrar as plataformas certas para que tal possa acontecer.

Mogherini: uma resposta europeia 
A vice-presidente da Comissão Europeia para a política externa esteve bem ao manifestar a disponibilidade da UE para dar uma resposta conjunta ao regresso dos europeus que combateram com o grupo Estado Islâmico. Como pode um país proteger os seus nacionais, quando estes podem constituir uma ameaça ao país?

Orbán: populismo sem limites
Viktor Orbán, Primeiro-ministro húngaro, lan-çou esta semana uma campanha populista de «outdoors» contra Bruxelas, baseada em mentiras e teorias de conspiração, usando descaradamente a imagem de Jean-Claude Juncker e George Soros. Fake news praticado por um governo eleito na UE. Ultrapassou (mais uma vez) todos os limites.

900
...milhões foram concedi- dos pelo Plano Juncker e programa COSME para 1900 PME portuguesas inovadoras, através do Fundo Europeu de Investimento e BCP com linhas de financiamento com melhores condições. A UE volta a apoiar o investimento no tecido empresarial português para Portugal continuar a crescer, inovar e criar emprego.

Uma Europa que... Cria
uma Autoridade Europeia do Trabalho para aplicar as regras da mobilidade laboral dentro da UE. 17 milhões de euro-peus vivem e traba-lham num Estado-Membro diferente daquele onde nasceram. A mobilidade é positiva para os indi-víduos, economias e sociedades em geral.
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