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Carlos Moedas

A Europa vista da China

O Fórum Económico Mundial de Davos junta todos os anos na China cientistas e inovadores para falar sobre o futuro.

Carlos Moedas 21 de Setembro de 2018 às 00:30

Cheguei esta segunda-feira a Pequim para copresidir ao Fórum Económico Mundial de Davos na cidade de Tianjin.

O Fórum Económico Mundial de Davos junta todos os anos na China cientistas e inovadores de todo mundo para falar sobre o futuro.

Nalguns aspetos, chegar à China é chegar ao futuro.

Pequim é uma cidade de 22 milhões de habitantes em que tudo parece vibrar e em que o moderno se alia ao antigo de uma forma única – quase mágica.

A China passou de uma sociedade em que se pagava tudo em dinheiro para uma sociedade em que tudo se paga digitalmente através de um código de barras no nosso telefone.

Nunca tiveram cheques e pouco utilizam os cartões de crédito. Neste e noutros aspetos da inovação saltamos definitivamente para o futuro.

De Pequim fui para Tianjin, cidade desconhecida para muitos europeus mas que conta com 14 milhões de habitantes. Atualmente, a China tem mais de 100 cidades com mais de 1 milhão de habitantes, e seis cidades com mais de 10 milhões de habitantes.

Esta escala faz-nos pensar sobre o papel da Europa no mundo: mesmo um país como a Alemanha não representa mais do que um por cento da população mundial. Ou seja, uma Europa de países individualmente considerados representa muito pouco neste jogo à escala global.

Mas noutros aspetos, chegar à China é também voltar ao passado. Assim que entrei no carro vi um pequeno aparelho que me parecia um ar condicionado portátil.

Era um purificador de ar para ajudar a respirar melhor em dias maus. A pessoa que me acompanhava ligou-se a uma aplicação que utiliza todos dias para medir a qualidade do ar e assegurou-me que até às 16 horas desse dia o ar estava bom.

Via à minha volta muitas pessoas com máscaras para se protegerem da poluição e pensei para mim: o que seria da Europa se as decisões ambientais fossem tomadas em separado pelos países? E lembrei-me que uma vez o meu colega António Vitorino me disse que a consciência ambiental chegou a Portugal com a nossa adesão às Comunidades Europeias.

A Europa é o nosso seguro para a qualidade ambiental e alimentar. Sem a União Europeia, o cenário seria seguramente muito diferente.

Por isto e por muito mais, seja no passado ou no futuro, é bom ser Europeu.

Condenar o governo, não o país

O Parlamento Europeu (PE) aprovou um relatório que condena o governo húngaro por "risco manifesto de violação grave dos valores europeus". Trata-se de um voto histórico.

Primeiro, porque é a primeira vez que o PE desencadeia o procedimento do artigo 7º, que já aqui mencionei quando a Comissão Europeia ativou o mesmo procedimento contra a Polónia.

Segundo, porque é o primeiro sinal formal que a UE dá para se distanciar do regime de Viktor Orbán, o atual primeiro-ministro da Hungria.

Como comissário europeu, denunciei os efeitos da ‘Lei Soros’ que amordaça as universidades estrangeiras na Hungria. Terceiro, porque apesar de integrar o Fidesz de Orbán, o Partido Popular Europeu deixou finalmente de caucionar estas violações.

Sempre afirmei o meu desconforto por ter Orbán no meu partido político europeu. Não é esse o caminho que quero na Europa, nem é esse o caminho que o PPE quer.

Espero que os governos no Conselho Europeu saibam tirar as ilações deste voto e não se refugiem numa lógica corporativa ou partidária de defesa cega de um dos seus.

Se for o caso, arriscam-se em breve a ter a Roménia e a Eslováquia em bem pior situação do que a Hungria. Ao contrário do que defendeu Orbán, não se trata de condenar um país, mas um governo.

‘O método no caos’ 
O livro de Tiago Moreira de Sá e Diana Soller ajuda a descodificar o caos aparente da governação Trump.

Um método consciente e moral que fala para o seu eleitorado da chamada "América Jacksoniana", que constitui atualmente grande parte da classe média. Recomendo pela análise pertinente e contraintuitiva.

Discriminação constitucional? 
O Parlamento romeno aprovou um referendo para inscrever na Constituição a proibição do casamento homossexual ao definir o casamento como "a união entre um homem e uma mulher".

Mesmo que a decisão final resulte da vontade popular, não consigo entender tal iniciativa na UE de valores em que vivemos.

Uma Europa que apoiou as autoridades americanas
Através da cartografia por satélite para enfrentar o furacão ‘Florence’.

Através do sistema Copernicus, a Comissão Europeia forneceu mapas da costa Oeste dos EUA à Agência Federal americana. Porque a solidariedade europeia não conhece fronteiras.

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