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Carlos Moedas

A identidade cívica europeia

Na Europa continental ninguém põe em causa a existência de um serviço público de saúde com acesso universal.

Carlos Moedas 20 de Setembro de 2019 às 00:30
As eleições presidenciais de 2020 estão a despertar um intenso debate nos EUA que tenho seguido de perto.

Um aspecto que em particular tem chamado a minha atenção é o posicionamento dos dois grandes partidos - Democrata e Republicano - quanto a temas essenciais como a saúde, as alterações climáticas e a posse de armas. Nos EUA, as clivagens entre esquerda e direita manifestam-se em temas como estes - temas que na Europa integram um consenso alargado entre os partidos moderados e que revelam uma identidade cívica comum entre os Europeus.

Vejamos os três exemplos que referi. Em primeiro lugar, a política de saúde continua a ser um dos temas mais fracturantes para os políticos americanos, que não se conseguem entender quanto ao direito básico de cada cidadão a ser tratado num hospital sem ter que pensar se tem ou não os meios para o fazer. Vivi nos EUA e sei bem do que falo. Na Europa continental ninguém põe em causa a existência de um serviço público de saúde com acesso universal.

Em segundo lugar, as alterações climáticas. Aqui alguns sectores na política americana continuam a negar o inegável e a deixar para amanhã aquilo que só poderemos fazer hoje. Na Europa assistimos a um consenso crescente entre os vários partidos de esquerda e direita no que respeita à urgência da adoção de medidas. Só esse consenso alargado terá viabilizado a implementação da ambiciosa agenda da Comissão Europeia nos últimos anos.

Em terceiro lugar, a posse de armas. Após inúmeros massacres em escolas e universidades americanas, diversos membros do Partido Republicano continuam a afirmar que a posse de armas de guerra ou a compra de armas sem qualquer tipo de background check é um direito, refletindo a opinião de muitos cidadãos americanos. Na Europa, estes tipos de tragédia são mais raros pois todos comungam de uma rejeição veemente da venda generalizada de armas.

Vemos assim que alguns dos aspectos centrais do debate político americano não chegam a ser motivo de divisão na UE. Muitas vezes destacamos as diferenças entre os Estados Membros. Mas a verdade é que, em temas essenciais como estes, partilhamos uma mesma identidade Europeia. Esta identidade cívica não substitui a identidade cultural e linguística do Estado-nação - apenas a complementa. Por isso devemos estar orgulhosos por sermos Europeus.
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