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Carlos Moedas

A Janela de Overton

Chegou o momento de dizer basta. de dizer que este discurso é inaceitável no seio do partido popular europeu.

Carlos Moedas 8 de Março de 2019 às 00:30

Na última semana, o Primeiro-Ministro húngaro voltou a chocar a Europa. Numa carta dirigida a todos os cidadãos húngaros, Viktor Orban criticou fortemente a UE, servindo-se de notícias falsas e distorcendo os factos, particularmente no que respeita à imigração.

Vem na linha da anterior carta escrita em 2017: "Vamos parar Bruxelas!". Orban decidiu também espalhar por todo o País cartazes com a imagem de Juncker e de Soros, apresentando-os como inimigos da Hungria.

Este agudizar dos ataques não tem nada a ver com princípios ou divergências políticas. Trata-se de puro oportunismo.

Sabendo que as eleições para o Parlamento Europeu estão à porta, Orban decide de forma tática apresentar-se como o herói que defende a pátria face a inimigos imaginários. É uma via de facilitismo que mostra fraqueza. Em vez de assumir as suas responsabilidades, Orban aponta o dedo a uma distante e fria Bruxelas, fingindo que não é, ele também, decisor, parte integrante e beneficiário dessa Bruxelas.

Até aqui nada de novo: já vimos muitas vezes este filme com líderes Europeus que não resistem à tentação de usar Bruxelas como saco de boxe para aliviar frustrações e responsabilidade internas.

O que me preocupa é que Orban levou este fenómeno a um ponto que nenhum líder Europeu tinha ousado antes. A um ponto de rutura e que, na minha opinião, torna incompatível a permanência do seu partido na família do Partido Popular Europeu, à qual pertenço. E não está sozinho: não é o único líder europeu a testar os limites do aceitável e todos os grandes grupos políticos europeus têm os seus Orbans.

Nestes tempos de populismo, ajuda relembrar o conceito da ‘Janela de Overton’, desenvolvido por Joseph Overton. Trata-se do conjunto de ideias e declarações que são aceitáveis no discurso político corrente. Qualquer político que se limite a essas ideias sabe que não será considerado extremista. Os populistas estão sempre a testar os limites desse conjunto e a proferir frases cada vez mais ofensivas com a esperança de as normalizar. Ao fazê-lo estão a ressuscitar fantasmas da sociedade, a despertar o medo e a encorajar a intolerância. Quando se começa uma espiral deste tipo, nunca se sabe onde se acaba, como nos mostra a triste história do século XX.

Como sempre disse, este discurso é inaceitável no seio do Partido Popular Europeu e incompatível com os nossos princípios. Temos de ter a coragem de dizer basta de forma a não escancarar a Janela de Overton.

Aveiro: um viveiro de inovação

Estou esta quinta-feira em Aveiro com o meu amigo e Presidente da Câmara local, Ribau Esteves, para a apresentação pública do projeto STEAM City. Com um investimento de 6 milhões de euros de fundos europeus, este projeto ambicioso vai transformar Aveiro numa cidade em que as empresas poderão testar produtos e serviços revolucionários que hoje na rede actual de telemóveis não poderiam funcionar. A tecnologia 5G permitirá a comunicação direta entre objetos físicos, que hoje não comunicam entre eles, preparando a cidade para futuros veículos autónomos ou para sistemas em que somos avisados automaticamente quando temos que ir ao medico fazer análises ao sangue.

Para mim, este projeto é emblemático. É a prova viva que fora de Lisboa e Porto há cidades inteligentes a preparar-se para as novas formas de comunicar, de fazer negócios, de viver e de interagir. Não tenho dúvidas que projetos como estes ajudam a reter a população nas cidades mais pequenas, a formar quadros competentes para as empresas e a atrair investimento nacional e estrangeiro. Quando muitos criticam o projeto europeu, aqui temos um exemplo bem concreto de como a UE ajuda Portugal (e o seu interior) a crescer e dar melhor qualidade de vida.

Macron: mais do que nunca europeísta
Numa inicia-tiva inédita, Emmanuel Macron escreveu aos 510 milhões de cidadãos europeus. Faz um diagnóstico certeiro da situação actual da UE. Apresenta solu-ções concretas e viáveis. Manifesta um apoio incondicional à inovação a nível europeu. Mais a UE corre riscos, mais Macron reforça o seu europeísmo.

Neto de Moura: a justiça deixa de ser cega
A justiça é simbolizada nos tribunais por uma mulher de olhos vendados associada a valores de imparcialidade, objetividade, equidade, ponderação e tratamento de todos por igual. Neste caso era bom o juiz desembargador abrir os olhos, no sentido próprio como figurado, para a sociedade do século XXI em que vivemos.

55%
É a percenta-gem total de resíduos reciclados na União Europeia em 2016. As taxas de reciclagem e de utilização de materiais reci-clados na UE estão a crescer sustentadamente: 89% dos resíduos da construção e da demolição, 67% das embalagens, 46% dos resíduos muni-cipais e 41% dos equipamentos elétricos e eletrónicos.

Uma Europa que...
...lançou
Uma nova plataforma Europeia de Regi-to de Doenças Raras. 30 milhões de europeus vivem com uma doença rara. A nova Plataforma reúne estes dados para apoiar a investigação e melhorar o diagnóstico e o tratamento. agora os dados estão dispersos por 600 registos.









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