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Carlos Moedas

Ciência para todos

Muito do meu trabalho tem-se centrado no restabelecimento da ligação entre ciência e cidadãos.

Carlos Moedas 22 de Março de 2019 às 00:30
Qualquer cidadão pode ser um cientista. A ideia pode parecer ilusória, mas muitas das grandes invenções da nossa história foram feitas por cidadãos sem qualquer formação científica. Como o tear mecânico, inventado por um carpinteiro e tecelão inglês, ou a primeira lâmpada elétrica duradoura, da autoria do autodidata Thomas Edison. Estes cidadãos tinham apenas uma curiosidade e a vontade de experimentar soluções diferentes para problemas do dia a dia.

Com a profissionalização da ciência, esta ligação foi-se perdendo. A ciência fechou-se nos laboratórios e nas bibliotecas, tornando-se quase inacessível ao cidadão comum.

Os projetos científicos passaram a ser apresentados numa linguagem técnica e difícil de entender. Muito do meu trabalho como Comissário Europeu tem-se centrado no restabelecimento desta ligação entre a ciência e os cidadãos. A UE deu, esta semana, um passo decisivo nesse sentido. Alcançámos um acordo preliminar entre as instituições europeias para o novo programa Horizonte Europa, o qual orientará a política científica entre 2021 e 2027.

O Horizonte Europa representa o maior investimento de sempre em ciência e inovação a nível Europeu. Este novo programa pretende reconectar a ciência aos cidadãos de três maneiras.

Em primeiro lugar, um dos seus pilares é dedicado à resolução de problemas globais de grande relevância. Os cientistas terão aqui missões bem definidas e com enorme impacto na vida dos cidadãos, como a cura do cancro ou o combate às alterações climáticas.

Em segundo lugar, o programa irá mobilizar a sociedade civil. Por exemplo, os cidadãos vão poder participar na escolha de quais as missões científicas mais relevantes para a Europa. Além disso, os diversos prémios a atribuir a projetos inovadores estarão abertos a todos os cidadãos com boas ideias, independentemente da sua formação.

Em terceiro lugar, o programa duplicará o investimento em instrumentos |de excelência que visam aumentar a participação dos cidadãos dos Estados-Membros que menos acedem a este tipo de fundos.

Através do Horizonte Europa, a UE vai promover uma ciência mais inclusiva e aberta. No fundo, uma ciência para todos.

Uma semana como tantas outras...
Muitas pessoas consideram o nosso trabalho diário em Bruxelas algo distante dos seus problemas e das suas vidas. É por isso que pensei em contar-vos aquilo que foi a minha semana de trabalho.

Na segunda-feira comecei com uma conferência de imprensa em que anunciei 2 mil milhões de euros para apoiar a inovação até 2020 através do novo Conselho Europeu da Inovação. Depois de várias entrevistas, gravei algumas mensagens-vídeo e recebi um grupo de jovens da JSD.

Na terça-feira foram quatro eventos em que falei de temas tão diversos como os oceanos, a inteligência artificial e a inovação. Às 19h00, uma reunião que se arrastou até às 2h30 para alcançar um acordo sobre o futuro programa Horizonte Europa. Este foi um dos dias mais especiais do meu mandato, pois concretizou quatro anos de trabalho a desenhar este novo programa de Ciência e Inovação Europeu.

A quarta-feira inclui invariavelmente a reunião do colégio de comissários. Na quinta viajei para o Porto para visitar a Salvador Caetano e participar nos 170 anos da AEP. Hoje estarei na Universidade de Trás-os-Montes a falar sobre o Horizonte Europa e os seus benefícios para Portugal, acabando o dia em Ílhavo num debate sobre a Europa.

Revolta popular na Argélia
Depois de grandes manifestações, o Presidente Bouteflika voltou atrás na sua recandidatura a um quinto mandato na Argélia. Adiou sem data as eleições, mantendo-se assim no poder. Apelidado de múmia, Bouteflika tem 82 anos e não fala em público há 7 anos.

Leonor Antunes: A arte partidária
Escolhida para representar Portugal na Bienal de Veneza, a artista plástica partidarizou a sua nomeação com declarações infelizes. Nessas funções, é-lhe pedido que represente o País, não a cor do governo. Certamente não escolherá os museus em que expõe com base em critérios partidários.

5075
milhões de bebés nasceram na UE em 2017, em queda relativamente a anos anteriores. A taxa de fertilidade da UE é de 1,59 nascimentos por mulher, um número inferior ao limiar de renovação das gerações, de 2,1 nascimentos por mulher. Portugal está abaixo desta média, com 1,38.

Uma Europa que... 
aplicou uma coima à Google no valor de 1,49 mil milhões de euros por violação das regras antitrust da UE. A Google abusou da sua posição dominante no mercado, ao limitar ou impedir os seus concorrentes de colocar os anúncios de pesquisa em sítios Web.
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