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Carlos Moedas

Grex(in)

A palavra Grexit surgiu pela primeira vez em 2012 num relatório de um banco de investimento.

Carlos Moedas 29 de Junho de 2018 às 00:30
A palavra Grexit surgiu pela primeira vez em 2012 num relatório de um banco de investimento em que Willem Buiter e Ebrahim Rahbari afirmavam o seguinte: "estamos a aumentar a probabilidade de uma saída da Grécia da zona Euro (Grexit) para 50% nos próximos 18 meses". E assim nasceu o Grexit, uma palavra que se tornou sinónimo do fim da Zona Euro e que nos perseguiu durante anos.

Na semana passada houve um momento muito particular na nossa reunião do Colégio de Comissários, que foi o parecer positivo da Comissão Europeia sobre a saída da Grécia do programa do ajustamento da Troika.

Para mim foi um momento de uma certa emoção por duas razões. Primeiro, não escondo que por momentos pensei como teria sido esse momento no Colégio de Comissários em Maio de 2014, quando Portugal saiu do programa de ajustamento. O que terá sido dito sobre o nosso país? Será que os que falaram nesse dia tinham consciência de tudo o que se passou em Portugal?

Pensei nos 1000 dias que estivemos sob o controlo da Troika e das 450 medidas que tivemos que aplicar. Pensei no que tivemos que fazer por que tinha que ser feito, e no que fizemos por imposição externa. Pensei em todos os que trabalharam para que aquele dia de "saída limpa" fosse possível. Mas sobretudo pensei em Pedro Passos Coelho que nunca vacilou nem mudou o rumo. Se não fosse ele, aqueles 1000 dias teriam sido muitos mais. Na Grécia foram 3000 dias e 3 vezes mais medidas.

Durante 3 anos ouvi comentadores e políticos de todas áreas, incluindo a minha, a dizer que deveríamos ter gritado mais alto, que deveríamos ter mudado o rumo. Estavam errados. A prova é simples: aqueles que mudaram o rumo levaram o país a mais sofrimento.

Segundo, este dia foi a prova de que, se estivermos unidos e solidários, o projeto europeu é irreversível. Não havia plano B e o euro mostrou a sua força em circunstâncias muito difíceis. E essa força não veio dos mercados, veio de dois valores fundamentais da União Europeia: a solidariedade e responsabilidade. Sem o sentido de responsabilidade do povo grego e sem a solidariedade dos países europeus este resultado positivo não teria sido possível.

Provámos que somos capazes e por isso a nossa prioridade deve ser sempre a de uma Europa dos valores, esse é o nosso maior seguro contra futuras crises. Espero que aqueles que inventaram a palavra Grexit reconheçam que estavam errados e possam agora adicionar uma nova palavra ao seu vocabulário: o Grexin.

Bastidores
A verdade em política
Há dois anos teve lugar o referendo que levou ao início do Brexit. O Brexit veio dar o tiro de partida para um mundo diferente, em que a verdade e a mentira deixaram de fazer a diferença entre um bom e um mau político. A antiga ministra espanhola Ana Pastor dizia que "la politica es el arte de no decir tonterias" - o que de certa forma foi durante o período do pós-guerra.

Mas o Brexit veio mudar tudo isso. Tentei fazer um exercício de memória e pensar o que me lembrava daquela campanha odiosa. Só me vinha à cabeça a imagem daquele autocarro que dizia que se o Reino Unido saísse da UE poderia poupar 350 milhões de libras por semana que poderiam ir diretamente para o sistema de saúde britânico.

A maior mentira dos tempos modernos na política britânica, mas que transformou a campanha. Não era verdade, mas a mensagem era tão clara que as pessoas acreditaram. Ou melhor, não quiseram saber se era verdade ou mentira.

A grande filósofa Hannah Arendt escreveu em 1967: "o resultado da constante substituição dos factos por mentiras, não é que as mentiras passam a ser verdade e a verdade passa a ser mentira. Mas sim a destruição da maneira como percebemos o mundo a nossa volta. No fundo deixamos de fazer a destrinça entre o que é verdade e o que é mentira."

O livro ‘O Lado B da Europa’
Depois de visitar as 28 capitais europeias, o livro de Bernardo Pires de Lima traz-nos uma perspetiva de dentro para fora sem romanticismos nem liris- mos. Não é a perspetiva de um português que viajou, mas a perspetiva que cada capital tem de si própria e do seu papel na Europa.

Marine Le Pen: Filha de peixe sabe nadar
Condenada a reembolsar mais de 300 000 € ao Parlamento Europeu por ter usado indevidamente verbas dessa instituição para pagar ordenados de funcionários do partido a que preside. A sua cartilha anti-europeia não a impede de aproveitar os recursos da UE. O pai já foi condenado pelos mesmos motivos.

160 000
… jovens portugueses não estudam nem trabalham. A baixa qualificação aumenta em três vezes a probabilidade disto acontecer. Dados de ‘Garantia Jovem’, um programa europeu de resposta à inatividade e ao desemprego, com o objetivo de proporcionar aos jovens (15-29 anos) uma oportunidade para apostar na sua qualificação.

Uma Europa que...
Reconhece o mérito das mulheres inovadoras. Todos os anos entrego os prémios ‘Mulheres europeias inovadoras’. As 4 vencedoras são mulheres inspiradoras com ideias inovadoras que mudam o nosso dia-a-dia. A Portuguesa Susana Sargento foi vencedora na edição de 2016.
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