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Carlos Moedas

McCain: herói do nosso tempo

John McCain fazia questão de atacar os seus adversários apenas e só nas suas ideias e não na sua personalidade.

Carlos Moedas 31 de Agosto de 2018 às 00:30
Vivi nos EUA no final dos anos 90 e lembro-me como se fosse hoje o caminho para as controversas eleições presidenciais de 2000, em que George W. Bush ganhou a presidência americana. Hoje poucos se lembram que nas primárias do partido Republicano, John McCain também estava na corrida e ficou em segundo lugar.

John McCain era realmente um político diferente.

Primeiro, fazia questão de atacar os seus adversários apenas e só nas suas ideias e não na sua personalidade. Muitos atacavam George W. Bush pelo seu passado de alcoolismo ou mesmo pondo em dúvida a sua inteligência. McCain, ao contrário de muitos, mesmo dentro da sua campanha, apenas atacou o seu projeto político. A sua ideia era simples e parecia-me tão óbvia. Há demasiado dinheiro e lobby em Washington e isso influencia negativamente as decisões políticas e leva à corrupção do sistema. Essa era a sua bandeira.

Muitos anos depois, quando enfrentou Obama nas eleições de 2008, estava num comício com os seus apoiantes quando uma apoiante lhe disse que não confiava em Obama porque ele era um árabe. Ele imediatamente muda de feições, baixa os olhos e pára de sorrir, e pegando de volta o microfone diz de forma firme: "Não, minha senhora, não, não minha senhora, ele é um homem decente, um homem de família com o qual eu tenho pontos de desacordo em temas fundamentais e esta campanha é apenas sobre isso".

Face a outro apoiante que dizia estar assustado com a possibilidade de uma presidência Obama, respondeu "que não tem que estar assustado, que ele é um homem honesto". Que contraste com o atual debate político nos EUA, no qual o tribalismo impera e o adversário é um inimigo.

Lembro-me também de um colega meu na Universidade de Harvard que era Republicano e que não gostava de McCain porque não o achava o suficiente à direita no espetro político americano. Isso para mim era extraordinário quando penso que mesmo o partido democrata em certas decisões está à direita de muitos partidos de direita moderada na Europa.

Esta dúvida do meu amigo devia-se à recusa de McCain em encaixar de forma simples no espetro político, como homem livre que era. Tomava as suas decisões de acordo com a sua convicção e não de acordo com a cartilha política.

Essa era a uma das grandes forças de John McCain e será sempre uma inspiração para muitos de nós.

De Marvão vê-se a Europa toda 
Esta semana regressei a Marvão para o ‘Summer CEmp’ da Comissão Europeia. Neste cenário inspirador do Interior do País, debati o projeto europeu com 50 jovens portugueses, de todos os pontos do país. Acredito que estes encontros ajudam a aproximar os cidadãos do projeto europeu. Defendo aliás a obrigatoriedade de uma cadeira sobre a Europa nos programas curriculares.

Em quatro dias, estes jovens dialogaram de forma direta com protagonistas relevantes: o vice-presidente da CE Frans Timmermans, os ministros Tiago Brandão Rodrigues e Luís Capoulas Santos, os secretários de Estado João Paulo Rebelo, Ana Paula Zacarias e Graça Fonseca, os eurodeputados Marisa Matias e João Ferreira, os deputados António Leitão Amaro, Pedro Mota Soares, Adolfo Mesquita Nunes, assim como Luís Amado, Miguel Poiares Maduro e Vítor Caldeira. Esta experiência ficará na memória destes jovens tão diversos e tão únicos. Mas ficará para sempre na minha memória a energia e a dinâmica destes jovens tão diferentes da minha geração.

A vontade que têm de ver e mudar o Mundo à sua volta enche-me de esperança. José Saramago dizia que de "Marvão vê-se a terra toda" e nós nestes dois dias vimos toda a nossa Europa e todo o nosso futuro.

Oettinger: resposta ao governo italiano 
O governo italiano ameaçou bloquear as negociações do orçamento europeu e afirmou que paga 20 mil milhões de euros para o orçamento. O comissário Oettinger veio repor a verdade: a Itália beneficia quase tanto como aquilo que contribui para o bolo comum. Uma excelente resposta.

Debate viciado sobre vacinas
A Universidade G. Washington mostrou a proliferação de desinformação nas redes sociais sobre as vacinas, com origem na Rússia. Isso quando a UE verifica um surto de sarampo, apesar da doença constar dos planos de vacinação. Mostra que a ciência é também um campo de batalha política nas guerras de desinformação.

1 milhão 
é a meta simbólica agora ultrapassada de carros elétricos a circular na Europa. Apesar de ser ainda uma quota limitada, este valor demonstra a aposta europeia na redução da pegada de carbono. Portugal está em 7.º lugar do ranking e é dos poucos países com uma quota de mercado superior a 2% das vendas de veículos novos.

Uma Europa que... Protege
Os seus consumidores europeus em viagem dentro da UE em casos de pagamentos, levantamentos, transferências e cheques em euros. Os bancos não podem cobrar qualquer taxa suplementar ou mais do que cobrariam pelas mesmas operações no país de origem.
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