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Carlos Moedas

O que nos disseram os eleitores?

A grande maioria dos Portugueses desinteressou-se pela política Europeia. Não se sente representada.

Carlos Moedas 31 de Maio de 2019 às 00:30
Para mim, nestas eleições europeias os eleitores enviaram três mensagens muito simples e claras: Primeiro, a grande maioria dos Portugueses desinteressou-se pela política Europeia e não quer participar pois não se sente representada (apenas 3 em cada 10 portugueses votaram).

Esta tendência contrasta com um aumento da participação nos outros Estados-Membros, onde se inverteu a tendência decrescente das últimas décadas. Muitos cidadãos Portugueses com quem falei disseram-me que tudo é mau na política e por isso não vale a pena votar. Este sentimento merece uma reflexão profunda por parte da nossa sociedade.

Ao nível do sistema partidário, julgo que os partidos terão que mudar na maneira como falam com as pessoas e incluí-las na decisão política. Mas continuo a pensar que a abstenção não é uma solução.

Segundo, vemos uma transição em prol dos partidos de causas com mensagens simples e directas. Ou seja, as pessoas estão a deixar os partidos com programas transversais e abrangentes para votarem em partidos focados em temas específicos como o ambiente, os refugiados ou a independência de regiões autónomas.

Acredito que no mundo digital, com a rapidez na circulação de informação e a multiplicidade das fontes disponíveis, a comunicação entre as pessoas e os partidos transversais se terá tornado mais difícil. No fundo, quando as mensagens são muitas, não chegam ao eleitor. Clarificar a mensagem parece ser a maneira de chegar ao eleitorado num mundo em que somos inundados de informação.

Terceiro, estas eleições deixam também uma mensagem de esperança. Para mim ficou claro que os europeus estão seriamente preocupados com o ambiente e querem que os partidos apostem no combate às alterações climáticas. Infelizmente, esse desejo não se verifica noutras partes do mundo, e muitas vezes na política interna dos próprios Estados-Membros.

Esta preocupação com o ambiente continua a ser um exemplo claro do valor acrescentado de fazer política a nível supranacional: juntos conseguimos desenhar medidas com impacto que nunca conseguiríamos implementar sozinhos.

Bastidores
Boas e más notícias de Vancouver
Para quem vive na Europa, o tema do aquecimento global e das mudanças climáticas está felizmente cada vez mais no centro da agenda. Desde a COP21 em Paris, até ao resultado histórico dos Verdes nas eleições europeias, passando pela Greta Thunberg, a jovem sueca que se tornou o rosto da luta, a Europa lidera a resposta a esta ameaça. Mas, ao sair da Europa, o panorama é menos claro.

A China e a Índia fazem esforços meritórios mas insuficientes. Os EUA mudaram radicalmente de discurso e abandonaram os compromissos de Paris. Estou esta semana em Vancouver, no Canadá, a representar a UE na Reunião Ministerial sobre energias limpas e investimento em novas tecnologias. Testemunhei portanto as dificuldades de levar a bom porto a colaboração internacional.

Volto para a Europa com boas e más notícias. Por um lado, volto com uma nova parceria em carteira: criámos um novo fundo de investimento em energias limpas, entre a Comissão Europeia e a Breakthrough Energy Ventures, liderada por Bill Gates. Mas volto também mais pessimista sobre a possibilidade de termos um verdadeiro consenso global sobre a urgência das alterações climáticas. Apenas estou certo que na Europa este tema será cada vez mais central e que estamos disponível para continuar a liderar.

200 milhões do Plano Juncker para Portugal
O Plano Juncker e a CGD assinaram esta semana um novo acordo para a criação de uma nova linha de crédito de 200 milhões, destinada a 5600 empresas em Portugal que transformem ideias em proje-tos. Portugal continua assim entre os maiores beneficiários do plano Juncker.

Theresa May sai pela porta pequena
Apesar da injustiça que pode legitima-mente sentir, a demissão de Theresa May não deixa de ser a consequência direta da ges-tão desastrosa do Brexit. Por motivos diferentes, a oposição e o próprio partido e o governo muito contribuíram para este desfecho mas May não deixa de ter culpas próprias do seu isolamento e descrédito.

205 milhões de cidadãos europeus participaram nas eleições europeias, que verificaram uma taxa de participação de 50,94%, um aumento comparado com as três edições anteriores. Com 30,9%, Portugal registou a sexta maior taxa de abstenção da UE.

Uma Europa...
que comemora hoje, dia 31 de maio, o Dia Mundial Sem Tabaco. Sem muitas competências na área da saúde, a União europeia desenvolve sobretudo campanhas de sensibilização. O consumo de tabaco é o maior risco evitável para a saúde, responsável por quase 700 mil mortes por ano.
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