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Carlos Moedas

Tecno-Democracia

As atuais tecnologias digitais tanto podem ajudar como prejudicar a democracia.

Carlos Moedas 5 de Outubro de 2018 às 00:30
A tecnologia é a maior força transformadora do mundo, em aceleração nos últimos 200 anos. Mesmo os mais céticos aceitam o seu enorme contributo para o nosso bem-estar. Basta pensarmos na redução da mortalidade infantil, na cura de inúmeras doenças, ou na aproximação dos povos através de tecnologias como os aviões ou as plataformas digitais.

Mas qual é o efeito da tecnologia na nossa democracia? A tecnologia é por definição neutra. Da mesma forma que a eletricidade ou o caminho-de-ferro permitiram construir grandes democracias, estas tecnologias foram também utilizadas para criar economias planificadas comunistas ou impérios coloniais que levaram à morte de milhões de pessoas. Da mesma forma, as atuais tecnologias digitais tanto podem ajudar como prejudicar a democracia, fazendo desta uma das questões políticas centrais da nossa atualidade.

No fundo a tecnologia globalizou a economia, mas ao mesmo tempo tornou a política mais local. As grandes plataformas têm hoje por objetivo captar a nossa atenção o maior número de horas possível, alimentando-nos com informação que nos agrada, o que reforça as nossas crenças mas também os nossos preconceitos. Há uma quase perfeita adaptação da mensagem a cada utilizador individual. Hoje estas plataformas e os seus eficazes algoritmos asseguram que cada um de nós vive numa cidadela com muros altos, onde só vemos aquilo que confirma as nossas ideias.

Este fenómeno é trágico para a democracia porque num mundo repleto de informação estes algoritmos acabam por reduzir a nossa escolha em vez de a aumentar. Este fenómeno está a tribalizar a política em todo o mundo e terá consequências profundas nas nossas democracias. A censura no passado implicava bloquear o acesso à informação. Hoje, como diz Yuval Noah Harari, a "censura" passa por sermos inundados com informação que reforça as nossas certezas e retira as nossas dúvidas.

Com as suas exigentes leis de privacidade, a UE deu um passo certo para a construção de um futuro no qual a tecnologia pode ser um reforço e não uma ameaça à democracia. Agora que se aproximam as eleições europeias devemos estar todos muito atentos. Temos que ver quais os candidatos que nos propõem soluções para este problema político vital; que nos falam da transparência dos algoritmos com potencial para controlar as nossas vidas em sociedade; que nos recomendam um modelo económico que se centre na criação de valor e não no controlo da nossa atenção.

Política de conteúdo
Para mim a política é e deve ser conteúdo. Infelizmente em Portugal, e em muitos outros países europeus, vivemos uma fase em que o mais importante parece ser a forma, ou o tweet, em detrimento do conteúdo. Maria da Graça Carvalho tem sido um exemplo ao dedicar a sua carreira ao conteúdo. Esta semana lançou com Rui Rio e David Justino uma estratégia para o Ensino Superior.

Em Portugal 40% dos alunos que terminam o secundário não seguem para o ensino superior e o fator socioeconómico e habilitação escolar dos pais é crucial para o sucesso dos filhos. Por isso o desígnio político é claro. Precisamos de medidas concretas para promover a equidade e igualdade de oportunidades. Deixo aqui para reflexão três medidas apresentadas que me parecem cruciais: primeiro, é preciso responsabilizar as instituições pelo sucesso dos seus estudantes e pela admissão de grupos sub-representados; segundo, é essencial reforçar o apoio aos estudantes mais carenciados e criar uma cobertura nacional de residências estudantis através da reabilitação de edifícios públicos degradados; terceiro, é necessário criar uma espécie de "Erasmus" entre o interior e o litoral que fomente a mobilidade entre os estudantes e os professores.

José Neves: entrada de luxo nos mercados
Há muita inovação de grande qualidade em Portugal. Sei que a inovação não se reduz aos unicórnios, mas não escondo o orgulho de ver a nossa bandeira na bolsa de Nova York ao lado do nome Farfetch. Um marco para a inovação portuguesa. É uma prova que a inovação de qualidade não tem fronteiras.

Flagelo dos incêndios florestais
O último relatório da UE sobre incêndios revelou números impressionantes: 1,2 milhões de hectares destruí- dos, 127 vítimas e prejuízos de 10 mil milhões de euros. Este Verão a UE mobilizou 15 aviões, 6 helicópteros e 400 bombeiros, e financiou 1,6 milhões de euros em custos de transporte.

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...milhões de mercadorias de contrafação apreendidas em 2017 nas fronteiras externas da UE, no valor de 580 milhões de euros. As mercadorias de contrafação perigosas são destinadas a uso quotidiano: alimentação, têxtil, cigarros, medicamentos e brinquedos. A China continua a ser o principal país de origem destas mercadorias.

Uma Europa que...
Desbloqueou ...uma primeira verba de 1,5 milhões de euros para acudir à Indonésia após o terramoto e o tsunami do passado fim-de-semana, assim como o envio de bens de primeira necessidade, material de resgate de protecção civil e mapeamento por satélite.
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