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Carlos Moedas

Uma globalização inteligente

Se as empresas chinesas podem entrar no nosso mercado, as europeias devem poder aceder ao mercado chinês.

Carlos Moedas 15 de Fevereiro de 2019 às 00:30
Na semana passada, a Comissão Europeia decidiu vetar a fusão da Siemens e da Alstom, as duas maiores empresas europeias do sector ferroviário. A decisão segue uma prática comum a nível europeu de impedir a criação de monopólios em que uma só empresa controla o mercado e os preços, prejudicando no imediato os consumidores.

Tenho um grande respeito pelas nossas regras de concorrência porque são sem dúvida um exemplo a nível mundial de como assegurar um ecossistema empresarial justo, com preços baixos para os consumidores. O problema é que as empresas fora da União Europeia vão crescendo, muitas vezes à custa de regras mais flexíveis de concorrência nos mercados em que actuam, e tantas vezes com ajudas de estado dos governos que falseiam a própria concorrência.

A ironia deste processo é que muitas das empresas europeias que poderiam ter sido gigantes mundiais acabam por ser compradas pelos rivais estrangeiros. Porque no que respeita à entrada de capitais de grandes empresas não-europeias, a UE impõe poucas condições. Como resultado, o investimento direto da China na Europa cresceu 600% entre 1995 e 2015, com claras implicações na distribuição de poder a nível internacional.

Por isso o problema não são as regras da concorrência, mas sim a necessidade de construir mecanismos que nos possam defender daqueles que entram no nosso mercado com incentivos que lhes dão uma vantagem competitiva injusta.

Em primeiro lugar é necessário estabelecer critérios para a entrada de investimento estrangeiro, à semelhança daquilo que Americanos e Chineses já fazem. Nesse sentido, a Comissão Europeia aprovou a criação de um mecanismo de cooperação que avaliará se os investimentos de origem não-Europeia são compatíveis com os interesses da UE.

O novo quadro de análise comum assentará em 5 critérios: 1) impacto sobre infraestruturas-chave, 2) riscos associados à distribuição de bens essenciais, 3) potencial acesso ou controlo de informação sensível, 4) impacto sobre tecnologias-chave, 5) ter em conta se o potencial investidor é controlado por um governo estrangeiro.

Em segundo lugar, temos que ser exigentes em reclamar reciprocidade aos nossos parceiros comerciais. Se as empresas chinesas podem entrar sem entraves no mercado europeu, as empresas europeias devem poder aceder ao mercado chinês nas mesmas condições.Aí, sim, teremos concorrência em pé de igualdade.

Estes primeiros passos que a Comissão deu mostram-nos que a UE pode deixar de ser ingénua face à globalização. É uma escolha política que podemos e devemos fazer.

Utopias tecnológicas
Na semana passada participei numa conferência dedicada às utopias tecnológicas na Fundação de Serralves. O tema da utopia não poderia ser mais apropriado para este lugar edílico.

O debate que se seguiu fez-me pensar sobre o papel que as utopias desempenham nas nossas sociedades. Algumas utopias da tecnologia, como um mundo sem cancro ou sem emissões de carbono, dão-nos esperança. Ficamos mobilizados e queremos contribuir ativamente para a construção desse futuro. Mas outras deixam-nos receosos e inquietos, porque nos é dito que a tecnologia vai destruir a nossa maneira de viver.

As utopias mais poderosas são as que vão ao encontro das nossas emoções. Os políticos jogam cada vez mais com a ativação do medo. E por isso impedem-nos de ver todo o potencial que a tecnologia traz consigo, tal como poder falar diariamente com um familiar que trabalha no outro lado do mundo, ou curar doenças como a tuberculose, que há apenas cem anos matava dezenas de milhares de portugueses.

Julgo que o papel dos políticos é congregar os cidadãos em torno de um futuro que está por construir. No fundo, usar as utopias para nos unir, e não para nos dividir.

Luís Onofre preside à indústria europeia
A escolha de Onofre para pre-sidir à Confede-ração Europeia da Indústria do Calçado é prestigiante e oportuna. Será uma oportunidade única para dar mais visibilidade internacional ao calçado português. Portugal é já o 4.º maior fornecedor de calçado à China, exemplo da diversificação de mercados.

Pedro Sánchez chumbado 
A rejeição do orçamento teve os efeitos de uma moção de censura. O Primeiro-Ministro espanhol não consegue evitar eleições antecipadas, num cenário político imprevisível com o crescimento de extremismos e independentismos. A maioria frágil com que derrubou Rajoy não se aguentou por muito tempo.

112... é o número de emergência europeu que funciona em qualquer parte da UE. Com 140 milhões de chamadas por ano, o número já representa quase 50% de todas as chamadas de emergência na Europa. Um sucesso ainda por melhorar em termos de geolocalização das chamadas e de melhor acesso a pessoas portadoras de deficiência.
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