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Edgardo Pacheco

Agora é a moda do peixe sem pele

Agora há gente que recusa comer a pele do peixe, mas ingere cápsulas de colagénio.

Edgardo Pacheco 10 de Novembro de 2017 às 00:30
Já sabemos que a moda e a razão não andam de mãos dadas. De resto, e no criativo universo gastronómico, a dinâmica é tal que as modas acontecem a um ritmo difícil de acompanhar, sendo que a regra segue a tirada do poeta: primeiro estranha-se, depois estranha-se. Noutros tempos, o queijo só pedia tintos; hoje sabemos bem que os brancos e os vinhos doces (para queijos picantes) são adequados. Dantes, até se aqueciam os copos para o vinho tinto; hoje queremos o vinho entre os 16 e os 18 graus.

Nos dias que correm, há modas alimentares que resultam de ignorância e do mau gosto. E a última é a venda de peixe sem pele, sem espinhas e sem cabeça.

Comecei a ver isto numa cadeia de distribuição, para, nos últimos tempos, ouvir gente nos mercados (que é onde se devia comprar peixe) a pedir às peixeiras o favor de tirarem a pele ao peixe.

A questão das espinhas ainda é como o outro, mas a eliminação da pele não tem qualquer sentido. Na pele e na gordura entre esta e a parte muscular estão nutrientes que fazem do peixe um alimento nutritivamente riquíssimo. É a junção da pele com a proteína que reforça o sabor de conjunto do prato. E é a pele que permite a integridade da peça no seu processo de confeção, fazendo com que o peixe não se apresente em farrapos no prato. Qualquer dia estamos como aquele inglês que convidado para casa de um português para uma sardinhada pediu ao anfitrião que lhe explicasse como se abria uma coisa que vinha com cabeça, pele, espinhas e tripas.

Que gente do Norte com a fisiologia do gosto não treinada recuse a pele ou a cabeça do peixe, isso percebe-se. Agora, ver tal coisa transformar-se uma moda por cá, isso já é absurdo.
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