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Edgardo Pacheco

O galheteiro continua proibido

Portugal criou uma excelente solução contra a fraude nos azeites, mas aplica pouco a lei.

Edgardo Pacheco 3 de Fevereiro de 2017 às 00:30
Em 2005, Portugal fez história ao ser o primeiro país a proibir o consumo de azeite à mesa dos restaurantes em galheteiros e garrafas com cápsulas violáveis, como estratégia para impedir que os consumidores ingerissem azeites defeituosos ou fraudulentos – coisa que acontecia regularmente. Garrafas invioláveis à mesa dão total informação e segurança ao consumidor. Os clientes e os donos dos restaurantes têm acesso a várias dezenas de produtores com azeites devidamente controlados do ponto de vista físico-químico. Ou seja, sem mistura de outros óleos.

Estava tudo a correr bem quando os responsáveis da associação de restaurantes Ahresp – com um discurso carregado de demagogia – pressionaram o ministro Jaime Silva para revogar a lei. Este tentou, mas a Assembleia da República não lhe fez a vontade, pelo que a proibição dos galheteiros continuou. Só que, com tanto ruído à volta da questão, muitos agentes do setor pensam que a lei foi efetivamente revogada. E, de então para cá, voltamos a ver galheteiros ou garrafas violáveis.

Muitos anos depois da publicação da lei portuguesa, Espanha e Itália imitam-nos (e esta!?). Espanha até vai mais longe, com a produção e emissão de pequenos vídeos com atores famosos (Rossy de Palma), que, num restaurante, recusam os galheteiros por serem um atentado à integridade da mais saudável das gorduras. Vídeos com humor, claro (https://www.aceitesdeolivadeespana.com/eventos/campana-peeerdona-en-bares-y-restaurantes).

Ou seja, Portugal inventou uma excelente solução contra a má qualidade dos azeites à mesa da restauração, mas não se preocupa muito em promover e fiscalizar a lei. É triste.
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