Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Edgardo Pacheco

Os antigos sabiam muito de castas

Para se fazer um vinho complexo a diversidade de castas é uma ajuda preciosa.

Edgardo Pacheco 12 de Maio de 2017 às 00:30
No tempo em que não havia investigação científica aplicada, os agricultores safavam-se por via da experimentação e das histórias que recebiam dos seus antepassados. Hoje, na maioria dos setores agrícolas há trabalho científico muito válido, mas, nalguns, parece continuar a valer mais a experiência do que a ciência. Pior ainda.

No caso da viticultura (em especial na do Douro), são os próprios produtores que estão a deixar de parte trabalhos científicos que, nos anos 80, determinavam que só se deviam instalar vinhedos com as famosas cinco magníficas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Roriz e Tinta Barroca. Ou seja, dantes, uma vinha no Douro era uma Babel de castas - algumas totalmente desconhecidas. Como isso era uma coisa anacrónica e muito trabalhosa, João Nicolau de Almeida liderou um grupo de trabalho para escolher as castas mais eficientes para a produção de vinho do Porto e vinhos DOC Douro.

Sucede que, algumas décadas depois, alguns produtores regressam à velha escola da plantação de muitas castas numa só parcela porque, em especial para o universo do Porto, a riqueza de variedades traduz-se na produção de vinhos mais complexos. Aliás, face a uma onda de padronização do perfil dos vinhos DOC do Douro (sempre Touriga Nacional + Touriga Franca + Tinta Roriz e volta e meia um bocadinho de Tinto Cão), há um nicho de consumidores que anda enfastiado, pelo que os produtores que apostem agora em novas castas vão capitalizar esse investimento a médio prazo.

Empresas como a Real Companhia Velha, a Quinta Vale Dona Maria ou a Fladgate Partnership estão a iluminar o caminho com resultados já muito apreciáveis, no copo, no caso da primeira.
Ver comentários