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Edgardo Pacheco

Quem investiga o que comemos?

Não tenho memória da última vez que li um estudo sólido sobre segurança alimentar.

Edgardo Pacheco 18 de Agosto de 2017 às 00:30
Agora foram os ovos holandeses; há dois meses foi o trabalho de uma newsmagazine cá da terra sobre produtos biológicos. Os ovos estão contaminados com inseticida; alguns produtos ditos bio terão sido produzidos por sistemas agrícolas convencionais. Se por um lado este trabalho jornalístico merece atenção, por outro levanta-me dúvidas visto que, ao não identificar as marcas ou produtores fraudulentos, borrou a imagem dos produtores que cumprem escrupulosamente as regras da agricultura biológica. E isso não é correto.

Dizem as autoridades nacionais que não há razões para alarme porque os tais ovos borrifados com produtos para matar piolhos não entraram no mercado nacional. Por outro lado, seria necessário comer dúzias de ovos por dia para um tipo apanhar desarranjos intestinais. Seja.
O que me intriga neste universo é uma certa atitude reativa das autoridades fiscalizadoras. Sim, sei que, volta e meia, há notícias sobre a apreensão de mariscos e carnes em mau estado ou mal rotulados, mas não tenho memória da última vez que li um trabalho consistente sobre a segurança alimentar nos vegetais, frutas, carnes, peixes, enchidos e por aí fora.

Por exemplo, todos os anos, a Proteste Brasil vai às prateleiras comprar azeites para os analisar em laboratórios credenciados, divulgando publicamente quem é honesto e quem é sério. Por que razão não se faz o mesmo em Portugal? Por falta de dinheiro? Por não haver interesse em chatear certos grupos poderosos? Ou porque convém manter uma estratégia de preços baixos na área alimentar, relegando para quinto plano as questões de segurança alimentar? Não sei. Mas que acho tudo isso esquisito, lá isso acho.
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