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Edgardo Pacheco

Sardinhas, paleio e falta de informação

Um Estado que gere um mar tão vasto deve informar sobre a situação dos stocks de peixe.

Edgardo Pacheco 28 de Julho de 2017 às 00:30
Um documento do Conselho Internacional para a Exploração do mar (ICES) a indicar que a recuperação do stock da sardinha no mar ibérico para níveis aceitáveis só seria possível com a proibição da pesca durante 15 anos deixou o país em alvoroço.

Os pescadores garantiram logo que os cientistas são ignorantes, alguns cientistas portugueses atiraram contra as alterações climáticas e contra as barragens (é verdade), os donos dos restaurantes de Matosinhos falaram em falência galopante e responsáveis do Governo tranquilizaram o povo dizendo que aquilo é só fumaça, que estão a ser feitos estudos e mais estudos e que decisões finais só em outubro. Assim de repente, só António Costa não se manifestou sobre o assunto.

A olhómetro, a tese do ICES parece-me tão radical quanto disparatadas foram algumas reações à mesma. Mas, lá está, um Governo responsável por zona marinha vastíssima, rica e invejada por frotas pesqueiras estrangeiras teria a obrigação de, regularmente, produzir e divulgar à sociedade (e sublinho o último verbo) informação sobre o estado dos stocks de pescado nos nossos mares.

Essa informação deveria ser pública para que os portugueses comilões de peixe e os donos de restaurantes pudessem saber que espécies estão em risco e que espécies têm stocks controlados. Hoje falamos de sardinha, mas amanhã poderemos estar a falar de pescada, de robalo ou de polvo. Por exemplo, na semana passada leu-se na imprensa que, nos Açores, os stocks de safio podem estar em risco.

E a questão é: esta informação tem ou não suporte científico? É treta ou alarmismo dos ambientalistas? Não sabemos. E isto é, hoje, uma falha de um Estado que se diz moderno e transparente.
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