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Edgardo Pacheco

Tratores, foguetes e falta de bom senso

Sabemos que não há soluções milagrosas para os incêndios, mas o bom senso dava muito jeito.

Edgardo Pacheco 25 de Agosto de 2017 às 00:30
O primeiro-ministro tem razão quando se queixa do aproveitamento político rasteiro da oposição perante a tragédia dos incêndios, mas a quantidade de decisões atabalhoadas do seu Governo não tem fim.

Quando os gabinetes de António Costa e de Constança Urbano de Sousa assinam um despacho com medidas preventivas em regime de calamidade pública a proibir a circulação de tratores, isso prova que quem decide revela doses consideráveis de desespero e de ignorância.

Imaginar que em plena época de colheitas, os agricultores deixariam de apanhar uvas ou dar de beber aos animais é o exemplo batido de que o país se divide entre o Terreiro do Paço e o resto do território.

Como é evidente, as associações dos agricultores manifestaram-se contra o despacho, pelo que Capoulas Santos lá veio dizer que, ai e tal, afinal, transporte de água para os animais, aí sim os tratores poderiam circular. Mas se era assim, por que razão se publicou um despacho que não garantia isso? Que se proíba o uso de motorroçadoras e destroçadores é coisa de La Palisse. Agora, tratores? Quantos incêndios são provocados em Portugal por tratores em circulação? Quantos?

Mas o curioso é que, no mesmo despacho, proíbe-se o lançamento de foguetes e traquitanas pirotécnicas. E aqui é que fico com o queixo junto ao peito por, ignorantemente, julgar que, no verão, havendo ou não estado de calamidade, o lançamento de foguetes seria proibido.

Pelos vistos, não. É a tal história da falta de bom senso: os tratores não podem circular em período de estado de calamidade, mas os foguetes podem ser lançados em junho, julho e agosto, haja ou não calamidade.

Onde pára a lógica?
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