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Edgardo Pacheco

Vamos a Freamunde comer capão

Para saber onde comer capão, deve consultar o site da Câmara de Paços de Ferreira.

Edgardo Pacheco 16 de Dezembro de 2016 às 00:30
Por razões de natureza profissional, os amigos têm uma curiosidade sorrateira em saber que produtos ou pratos detesto. Quando digo que não há um único detestável, eles não acreditam. E lá vão testando a pergunta até chegar à formulação clássica: ‘Que produtos poderiam desaparecer da face da Terra sem te deixarem infeliz?’ Bom, nestas circunstâncias, lembro-me sempre de dois: o pepino e o peru, sendo que, vá lá, o primeiro ainda dá jeito numa certa versão de gaspacho em dias quentes. Mas peru, caramba, nunca percebi por que razão encanta tanta gente. Seco, sem ondas de sabor, só mesmo na América se poderia ter inventado tal iguaria, que, claro está, tem de levar carradas de molho nos costados durante a assadura.

E quando vejo anúncios de grandes superfícies com perus para o Natal apetece-me perguntar: mas será que esta gente alguma vez provou um galo capão? Alguma vez sentiu a textura e a suavidade dessa nobre ave que, por estes dias, atinge a plenitude de sabor? Sinceramente, acho que não.

Por isso recomendamos uma ida urgente, por estes dias, a Freamunde e arredores para se provar um capão como deve ser, respeitando um receituário que vem de longas décadas: ave assada lentamente no forno com recheio rico de enchidos e um molho onde entra o vinho do Porto. Servido com batatas assadas e grelos.

Diz a história que o capão nasceu porque um cônsul romano, farto das madrugadas em claro por causa do canto dos galos, proibiu por decreto a posse destas aves. Alguém se lembrou de capar os animais por forma a que não cantassem. E assim nasceu um petisco que, hoje, é reconhecido pela Comissão Europeia como Indicação Geográfica Protegida. Os nossos agradecimentos a Caio Cânio.
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