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Eduardo Cabrita

A almofada de Luís

Depois da alusão do delírio de ir além-troika, é hora de mudar de colchão e almofada.

Eduardo Cabrita 11 de Abril de 2015 às 00:30
Após quatro anos de combate revolucionário para destruir o contrato social em que se baseou a nossa democracia, o Governo arrasta-se tropegamente para o ocaso.

Depois de uma fase gasparista assente na fé nas virtudes salvadoras da austeridade expansionista, a rebelião da realidade ao ímpeto do PREC de direita obrigou à modulação da mensagem a um tradicional pragmatismo do interesse típico do espírito sempre em pé do PSD e do discurso de nichos de mercado do CDS.

O balanço é penoso, entre o retrocesso do PIB ao início do século, a diabolização do investimento remetido para níveis pré-europeus e a destruição de emprego, mitigada pela redescoberta da estrada da emigração. Depois do espanto perante o inexplicável comportamento do desemprego, a manipulação dos dados sobre exportações e a apropriação oportunista dos efeitos domésticos da ação do BCE, que encolheu as taxas de juro a níveis impensáveis, o Governo entrou em guerra com as estatísticas.

A guerra com o INE foi o culminar da estratégia de desresponsabilização de um Governo que já se sabia nada ter a ver com a colocação de professores, nem com efeitos impensados da atribulada reforma do mapa judiciário ou menos ainda com os efeitos no sistema de saúde debilitado da conjugação nunca antes verificada entre o Natal e o frio do inverno. Se os resultados são desanimadores, a culpa é dos produtores de resultados.

Finalmente, ao menos depois da intervenção de sindicatos, do Parlamento e da CNPD, parece que até o Governo já se conformou com a bizarra existência de uma lista VIP de contribuintes. Caberá agora à Justiça definir se houve crime ou mera irresponsabilidade política e administrativa.

Mas neste desastre surge como negra ironia o orgulho de Maria Luís com a sua almofada financeira. O pecúlio gerado pelo empobrecimento serve como penoso álibi para a incapacidade de evitar a explosão da dívida para níveis acima dos 130% do PIB. Nunca foi explicado como é possível reduzir dívida sem gerar a riqueza para a pagar.

A dívida que foi invocada como a causa das coisas para a vinda para o poder desta gente é a maior razão que aconselha que nos livremos deles com a maior brevidade.

Depois da ilusão do delírio de ir além-troika, está na hora de mudar de colchão e almofada.
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