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Eduardo Cabrita

A banca rota

Maria Luís insiste em nada saber e nada decidir enquanto vai aprovando leis de emergência.

Eduardo Cabrita 13 de Dezembro de 2014 às 00:30

A Comissão de Inquérito ao BES tem sido marcada por jornadas gloriosas que superam em emoção qualquer filme sobre os inquéritos no Senado e em jornada de trabalho rivalizam com os heróis stakhanovistas do realismo socialista.

As 17 horas de audição aos desavindos primos Ricardo e José Maria e a determinação mostrada pelos deputados em explorar as sombras do maior desvario da banca nacional provam que o controlo político pode ter uma eficácia que não dispensa mas abre caminho para uma exigência de que a Justiça cumpra o dever de tudo investigar e julgar em tempo útil.

Ouvidos os gestores, os supervisores e os responsáveis políticos pode começar a ser identificada a existência de três tabuleiros distintos com alguns atores em comum. O primeiro plano é o da cultura de gestão que ressurgiu das privatizações do cavaquismo com a reconstituição de alguns dos grupos financeiros de outros tempos, com a ideia de constituição de grupos económicos nacionais. Entre a fraudes, desavenças internas e a falta de capital que leva à dependência de capitais externos passou por aí um furacão que liquidou a banca privada nacional. Os maiores bancos nacionais, além da Caixa que alguns extremistas pretendiam privatizar, são hoje o Montepio e a Caixa de Crédito Agrícola se excluímos os intervencionados Novo Banco e BANIF. Entre crimes, falhas de mercado e mera ganância, o panorama é aterrador.

O segundo plano é o da desregulação como ideologia que tem resultados trágicos quando os supervisores andam desavindos. A forma como o Banco de Portugal ignorou o ISP ao aceitar dar a Tranquilidade como garantia por um valor abusivo ou como deixou esvair-se em Bolsa o BES sem nada dizer até à ultima hora à CMVM, que confessou saber menos do fim do BES do que Marques Mendes, é uma página negra da história da regulação. E, finalmente, o plano político marcado pela frieza hipócrita com que Maria Luís insiste em nada saber e nada decidir enquanto vai aprovando leis de emergência, liberta numa noite 3,9 mil milhões de fundos públicos para o Novo Banco e negoceia com Bruxelas uma experiência de cobaia da resolução de bancos.

A banca está rota, mas não chegamos ainda ao fundo do buraco.

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