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Eduardo Cabrita

Nova escravatura

A preocupação com a dignidade do trabalho chegou de Roma pela palavra do Papa Francisco.

Eduardo Cabrita 3 de Janeiro de 2015 às 00:30

Em Portugal a fuga para os países mais ricos de médicos e enfermeiros formados com elevados custos para os portugueses bateu recordes. Nas urgências a contratação é à peça ou a espera digna de Godot.

A incerteza e a precariedade trucidam sonhos dos jovens que acreditaram na mobilidade social pelo estudo e pelo trabalho, angustiam os de meia-idade perplexos com a falência de certezas de vida e desesperam os idosos chamados a acorrer no final da vida aos filhos e netos destinados a uma existência mais soalheira.

Os velhos impérios da economia com as suas perversas velhas famílias desapareceram e os monopólios são hoje franceses, chineses ou omanitas perante a evaporação dos fabulosos gestores do Compromisso Portugal.

A Justiça leva anos sem acusar no esplendor do modelo operação Furacão, continua a ser cobradora de bagatelas por conta de telefónicas e seguradoras e prende para investigar sem nunca esquecer a parceria com o populismo mediático orgulhoso da sua parcialidade.

No início do ano o petróleo continua a baixar em todo o planeta, mas em Portugal legislação fiscal promulgada após análise-relâmpago pelo diligente inquilino de Belém é de imediato refletida nas bombas de todo um País ainda a brindar pelo final de 2014.

Os portugueses têm uma forma suave de desespero que não incendeia carros como em França, não quebra lojas como no Reino Unido nem assusta os mercados como a política grega. Esperavam na mensagem de ano novo um sinal de esperança do representante máximo de todos, mas tiveram mais uma prova da inutilidade de um porta-voz azedo que viu luz nas trevas e ameaça com novas punições o desejo de mudar de vida.

A preocupação com a dignidade do trabalho, o abuso dos poderosos e as formas ínvias de reinventar velhas grilhetas chegou de Roma pela palavra do Papa Francisco que na boa tradição social-cristã denunciou a falta de oportunidades de trabalho como uma nova forma de escravatura.

Em 2015 está nas mãos dos portugueses o caminho da libertação.

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