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Eduardo Cabrita

Novo Mundo

A direita tem de fazer o luto e aceitar a nova normalidade, à espera de melhores dias.

Eduardo Cabrita 12 de Novembro de 2015 às 00:30
Ao fim de quarenta anos, a democracia portuguesa não só dobrou o Cabo das Tormentas de quatro anos de terrorismo social de uma governação deliberadamente em rutura com a ordem constitucional e o consenso social, como inicia uma viagem além da Taprobana por mares desconhecidos de convergência à esquerda.

O caminho trilhado por António Costa não é isento de riscos históricos ou ideológicos, bem como dos emergentes da volatilidade da economia internacional. Mas abriu-se um tempo novo em que o direito natural da direita a governar, ou a condicionar a governação quando ocupada pelo PS, cedeu perante a chamada à responsabilidade pela criação de soluções dos representantes da vontade de quase um milhão de portugueses. A dimensão extremista da direita no poder, provocando clivagens entre gerações, entre trabalhadores dos setores público e privado ou entre jovens condenados à precariedade eterna e os pensionistas de uma longa vida de trabalho, criou o caldo de cultura para o grande BASTA de 4 de outubro.

A direita primeiro não percebeu e celebrou o segundo pior resultado em 40 anos como um triunfo em que as vítimas de sevícias se regozijassem com a promessa de alívio a longo prazo do garrote sobre os rendimentos. A seguir achou que o diálogo à esquerda era bluff tático. Começou a ficar nervosa quando se apercebeu que a conversa tinha conteúdo mas ainda assim teve esperança nos pedregulhos no caminho colocados por décadas de acrimónia e surdez voluntária. Passos só suspeitou que algo estava mal quando fez chantagem sobre o diálogo com o PS e ficou a falar sozinho. Tentou então apelar à traição e ao terror, mas já era tarde para travar a nova estrada desbravada pela maioria de resistência que ousou passar a convergência construtiva em torno de uma verdadeira mudança de políticas.

A consumação ontem à tarde do despedimento com justa causa de Passos e Portas gerou uma emoção incrédula nos que, com falta de povo, de votos e de mandatos parlamentares, acham que a democracia é que deu o resultado errado. A direita tem agora de fazer o luto e aceitar a nova normalidade, à espera de melhores dias e dos deslizes do Governo Costa. Até os banqueiros e a CIP querem estabilidade e já tiraram o tapete à guerrilha PÁFista. Vivamos o Novo Mundo…
opinião Eduardo Cabrita
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