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Eduardo Cabrita

Passos Perdidos

Ninguém se interessa pelo programa de Governo que vai ser discutido na próxima semana.

Eduardo Cabrita 5 de Novembro de 2015 às 00:30
A próxima semana política poderá ficar conhecida como a do Governo dos Passos Perdidos. Entre a inutilidade do exercício regimental da indigitação de Passos Coelho para formar um Governo com morte anunciada, no qual nem os próprios Ministros acreditam, e a hipótese de se gorar na praia a revolução epistemológica que representaria um Governo de António Costa com apoio parlamentar de esquerda, multiplicam-se especulações de comentadores boquiabertos com as mais fantásticas semanas das últimas décadas da política lusitana.

A direita sem ânimo, exaurida pela pré-depressão provocada pela estupefação de um quadro jamais antecipado de relegação para as bancadas da oposição e pela desaparição do espaço político para continuar a cruzada ideológica dos últimos quatro anos, entrega-se à sorte e ao desespero.

A lucidez de Fernando Negrão antecipa a inevitável indigitação de Costa em caso de chumbo do programa de Governo. Porém, alguns náufragos da minoria de direita ainda se agarram a réstias de poder como a esperança de dissidências de direita na bancada do PS, à teimosia institucional de Cavaco em manter um inviável Governo defunto em gestão a contragosto ou até à alegada intransigência negocial de Jerónimo de Sousa.

Frustrar neste momento a expectativa de uma inovadora experiência de governação à esquerda, que conjugasse rigor orçamental com justiça social na repartição dos sacrifícios, teria consequências calamitosas para quem deu esperança aos que a 4 de outubro mostraram a vontade de uma mudança de rumo mesmo expressando esse sentimento com vozes de diferentes tonalidades e algumas inevitáveis dissonâncias.

O que se passa nestes dias é absurdo. Ninguém conhece nem se interessa pelo programa de Governo que vai ser discutido na próxima semana e há uma enorme excitação em torno do acordo para um Governo do qual não existe a certeza se chegará a ser empossado.

A fantástica deslocação a Albufeira do novo Ministro da Administração Interna ficará para a memória como o símbolo deste Governo. Uma equipa filha do desastre social e da incompreensão pelo resultado eleitoral que confessa a sua impotência, na ausência da interceção do Espírito Santo, perante as forças demoníacas que puniram os infiéis sem seguro contra todos os riscos. Um Governo pronto a entregar-se em Belém nos braços do Criador.
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