Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
3
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Eduardo Cintra Torres

RTP: prática versus teoria

Feijó mostrou que tem estudado os dossiers e uma visão clara de aspectos fulcrais.

Eduardo Cintra Torres 25 de Janeiro de 2015 às 00:30

entrevista do presidente do Conselho Geral Independente (CGI), António Feijó, à RTP Informação foi uma lufada de ar fresco no discurso público de Estado sobre a RTP e o serviço que deve prestar aos portugueses. Pela primeira vez desde sempre, um responsável pela empresa disse com clareza que o interesse público da programação deve sobrepor-se à estratégia comercial e de concorrência com os privados. Se outros já o disseram, não o praticaram nem queriam praticar: era língua de trapos. Feijó falou com convicção.

Quem, como eu, defende essa mudança há décadas, terá sentido o conforto de não ter clamado no deserto. Embora não estejamos no ponto de não-retorno, dificilmente se poderá voltar totalmente atrás. Em Portugal, o Estado, os governos, as instituições e seus responsáveis são muito temerosos e não conseguem dar grandes passos, mas parece ser previsível que, em termos de delineação oficial de estratégia, se avançou um passo. Não é pouco.

Na entrevista, Feijó, cuja profissão nada tem a ver com os media, mostrou que tem estudado os dossiers e uma visão clara de aspectos fulcrais. Todavia, nem tudo o que é essencial parece ser correcto na visão do CGI, nomeadamente questões práticas que têm o condão maçador de deitar grandes teorias abaixo. Dado que o entrevistador, Vítor Gonçalves, insistiu em pontos menos importantes e tinha uma paleta demasiado limitada de perguntas, ficámos sem saber o que o CGI pensa de algumas questões, como a do convite do CGI à ilegalidade no que toca à gestão dos conteúdos. Como referi na semana passada, o CGI nomeou um "administrador de conteúdos", na perspectiva de que ele possa intervir na programação, o que seria uma clara violação da lei. Será que pretendem mudar a lei para servir a pessoa nomeada?

Por outro lado, Feijó revelou alguma ingenuidade em certas matérias, nomeadamente quando passou por cima de metade dos curricula de dois dos administradores indigitados para elogiar a outra metade. Essa denegação costuma desiludir quando já é tarde e, no caso, pode custar caro ao bom projecto do CGI e aos nossos impostos.

Também me pareceu ingénuo assumir que, com publicidade, a RTP pode conseguir a estratégia de sobreposição do interesse público ao comércio e concorrência nos conteúdos. Ultrapassar esse imbróglio, a que Feijó chamou e bem uma quadratura do círculo, não está de forma alguma assegurado, quer com a administração indigitada, quer com a oligarquia actual nos conteúdos ou, previsivelmente, a próxima.

O deputado LEGO: TV-marketing

Paulo Sá, deputado do PCP, recorreu a peças LEGO para ilustrar um argumento sobre impostos, numa audição parlamentar com a ministra das Finanças e um secretário de Estado. Nem por acaso, um dos elogios à rábula de Sá veio dum publicitário emérito, Pedro Bidarra. Porque foi puro marketing mediático: o deputado não o fez para a ministra, mas para as câmaras de TV. Queria atenção na TV, que gosta de info-entretenimento – e conseguiu o pleno nos telejornais e canais informativos. A novidade é tê-lo feito, não num tempo de antena ou talk show, mas numa comissão técnico-política.

Quando algum deputado fizer um número de circo numa comissão, talvez o parlamento reflicta sobre o assunto.

TVI: censura no ‘Desafio Final’

Foi um caso de "estavam a pedi-las": a TVI junta gente ruim a bombar "relações humanas" – sem trabalho, sem pensamento – e o resultado é pancadaria e ordinarice. Mas censurou a cena, cortando a emissão. Quando os corrécios desataram ao murro e aos palavrões, impediu-nos de ver o verdadeiro conteúdo do programa.

Ver comentários