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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Eduardo Cintra Torres

As novas princesas vêm dos ecrãs

Não são exatamente plebeias, porque chegam à aristocracia das casas reais por via da tele-aristocracia. O novo sangue azul é a cores e 16 por 9.

Eduardo Cintra Torres 29 de Dezembro de 2017 às 00:30
Noutros tempos, os príncipes casavam com condessas ou marquesas. Agora casam com jornalistas e actrizes, pois os media originaram nova aristocracia social: habituadas a representar para as câmaras, estão prontas a servir de estampas para o protocolo.


Meghan Markle chega à família real inglesa como estampa perfeita: actriz, sabe ‘estar’ princesa como o saberia na ficção; sem título, traz o povo à realeza; norte-americana, alarga a família ao mundo global; mulata, alarga a família às cores do mundo.


Um estudo quantitativo da ERC confirma a impressão geral: os noticiários da RTP e da TVI deram mais destaque ao governo e ao PS, enquanto a SIC realçou os partidos parlamentares. A RTP é a eterna voz do dono, a TVI é voz do governo por opção editorial.


RTP1, 2, 3 e Memória somam a mesma audiência que a SIC (3,5% de rating) e menos que a TVI (4,2%). A entrada dos dois canais RTP que só estavam no cabo, por golpe de secretaria do governo, não foi suficiente para os impor. A audiência é soberana.


RTP3 e RTP Memória, mesmo na TDT, não conseguem mais audiência que diversos canais só de cabo. O canal de notícias do Estado teve este ano 1,8% de share, o mesmo que a TVI24 e menos que a SICN (2,0%) e a CMTV (2,4%, em apenas 80% do cabo até agora).


Há décadas que o cidadão Marcelo mergulha no mar perto de casa. Na véspera de Natal, a SIC voltou ali outra vez — mas para ‘entrevistar’ o presidente. Na ausência da secretária, Marcelo desbobinou a sua agenda natalícia. A SIC mostrou-o assim.

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Tendências

MIRAGEM
Este foi o ano das denúncias de assédio sexual por homens poderosos nos bastidores do espectáculo e também da política. As mais noticiáveis das corporações de elite forneceram inúmeros casos. É, todavia, a ponta do icebergue. As dezenas de mulheres assassinadas este ano em Portugal pelos maridos, namorados e ‘ex’ mostram como o respeito e a igualdade ainda são uma miragem. 

ALHEADOS
A medição das audiências vai-se tornando uma ficção, pois não considera os consumos de conteúdos de TV pela Internet. Há 5,5% de portugueses com 10 anos ou mais que assinaram serviços de conteúdos a pedido como Netflix, Fox Play, NPlay ou Amazon Prime Video, mais 2,3% que em 2016. É meio milhão de portugueses que optaram por não ver ou quase não ver TV portuguesa. A Terra gira, a TV nacional parou.
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