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Eduardo Cintra Torres

Ciência política não é propaganda

A universidade de Aveiro cometeu um erro imperdoável: permitiu ao Governo fazer uma sessão de propaganda à custa dum estudo de ciência política.

Eduardo Cintra Torres 1 de Dezembro de 2017 às 00:30






























Conheço Carlos Jalali, o investigador encarregado do estudo da Universidade de Aveiro para o governo. É um investigador sério com muita obra publicada. Explicou adequadamente a metodologia do estudo e do grupo de foco. A Aximage também explicou bem.






























Mas Jalali e a Universidade de Aveiro cometeram um erro imperdoável: colaboraram na transformação do estudo numa sessão de agitação e propaganda do governo, com os media a bombar em directo. Os cientistas políticos não devem fazer política nem propaganda.































Uma participante disse no final que os ministros não responderam em concreto. Claro que não. Era blá-blá para a TV. Na assistência e no palco dormitou-se, tal era a validade da sessão de propaganda. Foi o governo a fingir que falava com o país real.































Este não é propriamente o melhor pano de fundo para uma intervenção dum chefe de Estado, mas com Marcelo Rebelo de Sousa tudo é possível. Nesta aparição mediática, nem ele nem os palhaços se pronunciaram sobre um tema candente da política nacional.






























Para não escrever que a equipa do português Frederico Melo ficou em último na etapa, a RTP escreveu que ficou mais ou menos atrás do penúltimo… O que é nacional é bom, mas esconder a verdade é parolice. A classificação não melhorou com o eufemismo.






























Vejo TV há meio século, mas nunca vira uma apresentadora de noticiário escondendo um olho, qual flausina de filme da série B dos anos 40. Fica-lhe bem, Cristina Esteves, mas olhe que aquilo é um noticiário. A ideia é o apresentador mostrar os olhos.

TENDÊNCIAS
PREJUÍZOS
A RTP estima perder 5,6 milhões com o Mundial de 2018, se chegar a receitas de sete milhões para cobrir os  custos de 12,6 milhões. São previsões ‘optimistas’ nos planos em papel. Não há pão, mas dá-se circo. Aumenta a audiência média naquele mês, escondendo fracos resultados anuais. No fim do ano, embrulha-se os resultados médios e manda-se ao parlamento, que fica contentinho. 

SEMÂNTICA
É tal o afã da propaganda que dá nisto. Só Lisboa poderia ser Capital Europeia do Desporto, por ser a única cidade nacional com mais de 500 mil habitantes. Mas Costa tweetou para o mundo que "pela primeira vez uma cidade portuguesa será Capital Europeia do Desporto". Para haver segunda vez, ou é Lisboa de novo ou Gulpilharinhos terá de crescer para mais de 500 mil habitantes.
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