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Eduardo Cintra Torres

Como se situa a RTP na Europa

É errado falar de um único modelo de “serviço público”.

Eduardo Cintra Torres 31 de Julho de 2016 às 00:30
Tendemos a avaliar a RTP em termos nacionais. Todavia, estando o operador do Estado obrigado a seguir normas europeias, vale a pena compará-lo com os seus 53 parceiros da União Europeia de Radiodifusão (UER), que inclui alguns não europeus, como Israel e Marrocos.

Segundo um relatório da UER de 2016, os operadores públicos atraem diferentemente os espectadores. Na Islândia, um pequeno país comunitário, o operador público tem mais de metade da audiência média (55%), enquanto os da Ucrânia e Líbano quase não existem, com 0,8 e 0,7%. A RTP está na segunda metade, em 27º lugar, com 18,1%. Os operadores do Estado têm mais de um terço da audiência em 11 países e mais de um quarto em 21.

Outra forma de avaliar o impacto dos operadores públicos é o da sua audiência entre os adolescentes e jovens dos 15 aos 24 anos. A RTP tem 8,4%, que compara negativamente com operadores públicos mais dinâmicos, como a BBC, que recolhe quase 41% daquela audiência jovem.

O número de canais públicos varia muito. Há 17 países com mais de dez canais regionais, nacionais ou internacionais, incluindo a RTP, com 11.

No que respeita a conteúdos, a RTP fica em 7º quanto à emissão de programas nacionais, mas apresenta um dos valores mais baixos (3,6%, 4º lugar a contar do fim) na emissão de programas europeus. Suécia, Noruega, Islândia, Finlândia e Estónia transmitem mais de 30% de programas europeus. A RTP é também um dos operadores públicos com menos conteúdos norte-americanos (2,7%, 8º lugar a contar do fim). Quanto à informação, está em segundo lugar, com 66 horas por dia, a seguir à ARD, alemã, com 157. Na lista da UER, há mais operadores sem do que com canais de informação.

A RTP é um dos cinco operadores que não adjudicam programas fora, havendo dez que adjudicam mais de 20% do total de conteúdos. Prefere fazê-los (57,5% ou 11º lugar) ou comprá-los feitos (41,2% ou 14º lugar). Faz poucas co-produções (1,5%), tal como a maioria dos operadores.

No que concerne à publicidade, a RTP está no grupo dos países em que ela ocupa entre 5 e 10% da emissão. Há dez operadores públicos sem publicidade. Quanto à taxa, está em 10º lugar no seu peso no total de receitas (77,3%) e em 26º na dependência das receitas de publicidade (8,6%). Há 12 países com uma taxa inferior à portuguesa.

Resumindo: há uma grande diversidade entre os operadores públicos quanto a audiências, receitas, origem da programação e conteúdos, nomeadamente de informação. É errado falar de um único modelo de "serviço público". O poder político em cada país decide o que melhor o serve e que pode ou não servir os interesses da população.

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A ver vamos: Audiências - Generalistas abaixo de um milhão
Em 21 dias de Julho, a TV generalista nacional ficou abaixo de um milhão de espectadores em média. Esta quebra tem-se acentuado: nenhum dia com menos de um milhão de Janeiro a Março; 7 dias em Abril, 10 em Maio e 11 em Junho. Duas razões simples explicam esta evolução: a tendência histórica de os espectadores verem menos os generalistas; menos um quarto de tempo dedicado à TV no Verão. Mas, como a queda começou antes do Verão, procurei um terceiro motivo: julgo que se deve ao processo de medição da audiência. A partir de Abril, diminuiu muito o registo dos que vêem mais de 12 horas de generalistas por dia. Conhecidos anedoticamente como "os acamados", ponho a hipótese de a empresa que mede, a GfK, ter finalmente começado a controlar, como está obrigada, os membros do painel de audiência que não registam correctamente o seu visionamento de TV, o que significa que a audimetria estará finalmente mais próximo da realidade. Andámos enganados.

Já agora: Futebol: disponível mas em canais pagos
Os novos donos do futebol na TV — as plataformas de cabo — acordaram disponibilizar a todos os conteúdos com jogos que cada um comprou aos clubes. Fazem-no por razões económicas, não a pensar nos adeptos. A primeira liga é hoje um telenegócio. Jogos em canais abertos é coisa do passado. A quota do clube foi substituída pela mensalidade de cabo.


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