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Eduardo Cintra Torres

Mais tempo mas menos audiência

Pode intuir-se um certo ‘cansaço genérico’, como nos casos dos reality shows e desenhos animados.

Eduardo Cintra Torres 11 de Dezembro de 2016 às 00:30
Apesar de mais horas de reality shows na TV generalista, todos os grupos etários vêem menos tempo deste género. Dados CAEM/MediaMonitor mostram uma queda no período das 7h00 da manhã à meia-noite (o ‘daytime’), comparando períodos homólogos de Janeiro a Outubro de 2014 e 2016.

Os reality shows quase duplicaram em horas de emissão, mas o tempo médio que os espectadores viram deste género baixou mais de 20% em todos os grupos etários. Entre as idades dos 15 aos 54 anos o tempo de visionamento de reality shows baixou entre 20 e 24% e nos grupos de 55 anos ou mais a quebra foi igual ou superior a 30%.

As horas de transmissões desportivas nos generalistas também aumentaram (19%), mas todos os grupos de idade viram-nas menos. Isso significa menor rentabilidade da publicidade dessas transmissões. Todavia, os programas de informação desportiva, com aumento de 20% de emissão no ‘daytime’, cresceram em tempo de audiência em todos os grupos etários até aos 74 anos, sendo significativos nas idades 15-24 anos (27%), 35-44 anos (47%) e 45-54 anos (20%). O interesse acrescido dos espectadores explica a insistência dos generalistas neste género.

As telenovelas diminuíram 5% em tempo de emissão, mas o contacto dos espectadores com o género manteve-se semelhante nas várias idades. Já os programas infanto-juvenis, apesar de menos 6% de horas de emissão entre 2014 e 2016, retiveram os espectadores por mais 14% a 18% de tempo nos grupos dos 25 aos 44 anos e 55-74 anos. Sorte diferente tiveram os desenhos animados, que, apesar de mais 19% de horas de emissão, retiveram menos tempo os espectadores dos 15 aos 74 anos, em especial dos 15 aos 24 (menos 29%).

Os concursos perderam horas de emissão e também tempo de contacto dos espectadores, em especial a partir dos 45 anos (menos 7 a 9%). Talk shows e noticiários, com ligeiras subidas em horas de emissão, registaram comportamentos diferentes conforme a idade: em geral, subiu o tempo de contacto até aos 44 anos e baixou a partir dessa idade. Os de 15 aos 24 anos viram mais 15% de talk shows. Um aumento de 16% no tempo de emissão de séries não resultou em mais tempo de contacto, registando subidas ou descidas ligeiras nos vários grupos etários.

Em resumo, as variações no tempo disponibilizado por género pelos generalistas não são necessariamente correspondidas pelo tempo de visionamento pelos diferentes grupos etários; os espectadores avaliam programas concretos. E pode intuir-se uma mudança no interesse dos espectadores por géneros ao longo do tempo, um certo ‘cansaço genérico’, como nos casos dos reality shows e desenhos animados.

Entrevista a pedido não atrai 
Escrevi na semana passada: o governo, "na RTP, impôs ao director de Informação dois directores, António José Teixeira e André Macedo, profissionalmente desnecessários mas politicamente necessários". Não por acaso, foram eles que entrevistaram António Costa na segunda-feira. Nem Paulo Dentinho, nem Vítor Gonçalves, nem José Rodrigues dos Santos, mas os dois pioneses da geringonça espetados na Direcção de Informação.

Como escrevo há anos, os governos podem deixar a RTP em relativa independência, mas há um dia em que precisam dela.

Foi o caso. Não terá valido de muito o fingimento de que era uma entrevista a sério. As audiências foram muito fracas, das piores de sempre de um primeiro-ministro: 694 mil espectadores em média, ou 14% dos espectadores que viam televisão àquela hora. Menos do que os intervalos publicitários na SIC e na TVI. Mas os media, sempre interessados nas audiências destas entrevistas, nem uma palavra dedicaram a este malogro.

Sem carpinteiros, um dia a TVI vem abaixo  
Mais um acidente num reality show da TVI: Manuel Luís Goucha e Cristina Ferreira caíram quando se partiu o banco em que estavam sentadinhos. Riram-se muito. Aposto que, nos bastidores, não se riram assim.

A TVI poupa nas despesas para mandar os lucros para Madrid, mas esta poupança em carpinteiros está a tornar-se repetitiva e perigosa.
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