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Eduardo Cintra Torres

O ventríloquo e o seu boneco

O Presidente da República já não comenta aos domingos na televisão, mas tem um porta-voz (in)formal na SIC à mesma hora em que falava na TVI.

Eduardo Cintra Torres 20 de Janeiro de 2017 às 01:45
Marques Mendes está a assumir cada vez mais o papel de porta-voz (in)formal e escondido de Marcelo. Quanto mais a luta política se acentua, mais o presidente usa esta muleta – e Marques Mendes mais se excita a fazer de corneta de Belém. Até grita.

A SIC dá a Marques Mendes um espaço televisivo que mais nenhum comentador tem. Ele segue as instruções políticas do presidente da República, passo a passo, em todos os temas. Marcelo, que comentava ao domingo na TVI, faz agora de ventríloquo na SIC.

Obama chora, Biden chora: os políticos aderem à forma melodramática da informação para aparecerem e ganharem cobertura – e os media não querem outra coisa. E, em vez de nos darem o conteúdo do que disseram, só mostram lágrimas. Falta o resto.

O nosso emplastro está a tornar-se o Emplastro Global: está em todas, sejam de desporto, religião ou política. Também já vem aos tribunais de Lisboa. Onde houver uma câmara, ele está lá. Um verdadeiro profissional. Podia dar lições aos "conhecidos".

O director de informação da TVI, Sérgio Figueiredo, disse no Congresso dos Jornalistas que a plateia de profissionais à sua frente era um "pelotão de fuzilamento". Boa metáfora: dum lado os jornalistas, do outro os membros da elite que os governa.

Em ‘Agarra a Música’, novo entretenimento dominical da SIC, equipas de "conhecidos" (os do costume, como de costume) têm de descobrir coisas de canções pop (o costume). Eles "agarram" a música sem a deixarem ouvir. Só interessa a gritaria no palco.

Desconhecemos
Em dois anos, os canais da TDT perderam mais de 170 mil espectadores em média. Em grande parte, transferiram-se para canais de cabo. Mas houve também uma queda da TV em geral – isto é, da TV que se vê no televisor. É quase certo que os portugueses vêem a mesma ou mais TV, mas parte da população vê-a na tablete, no computador e no smartphone. Essa audiência não é medida. Desconhecêmo-la.

Sondagens
O governo dispõe hoje de muitos media favoráveis: ‘DN’, ‘JN’, ‘Público’, TSF, Antena 1, RTP, SIC, TVI, ‘Expresso’, ‘Visão’ e redacção do Observador. Não admira que as sondagens lhe sejam favoráveis quando a maioria dos media consegue criar uma interpretação dos acontecimentos igual à que o governo deseja. Esta visão da realidade chega-nos a toda a hora, as contas para pagar só ao fim do mês.
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