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Eduardo Cintra Torres

RTP em fim de festa?

"Estão a ultimar uma reformulação do Livro de Estilo da informação da RTP."

Eduardo Cintra Torres 14 de Junho de 2015 às 00:30
O programa ‘Três Pontos’ da RTP Informação foi uma invenção de José Manuel Portugal, ex-director de Informação da RTP. Falam no programa luminárias da pátria, uma por dia, cinco por semana. Escolhem os temas que o jornalista, diferente em cada dia, debita. O ex-director tem assim o seu tempo de ecrã e, para reforçar a servidão de camaradas, deu-lhes um dia por semana para mostrarem os egos.

O modelo é costumeiro: comentam um chefe do PS, um do PSD, um do CDS, um ‘do Norte’ e um ‘da esquerda’ PC-e-mais-além. Deste modo, o ex-director apaparicou o ‘arco parlamentar’, para estar de bem com os partidos de S. Bento, que acham a RTP sua (e têm uma palavra a dizer sobre as nomeações dos chefes da RTP). ‘Três Pontos’ exemplifica em pleno o círculo vicioso da ‘informação’ da RTP em décadas.

O interesse é quase nulo. Repete inúmeros programas dos canais de informação e da RTP 1, como ‘Prós & Prós’ e o novo ‘As Palavras e os Actos’: sempre os mesmos a dizerem as mesmas coisas, que são as coisas que interessam aos mesmos e seus partidos, e não aos cidadãos.

Isto só já seria muito mau, mas falta o resto. Segundo informações que recolhi, a RTP paga por uma prestação por semana a Carlos César, do PS, seis mil euros por mês, mais as viagens. Não é um qualquer: César é o presidente do PS. É uma indignidade e um roubo aos contribuintes pagarem para o presidente dum dos maiores partidos fazer a sua propaganda num canal do Estado.

E é uma vergonha pessoal para Carlos César e para o PS que ele se faça pagar este valor pornográfico. E os outros? Ao presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, a RTP atribuiu um pagamento mensal de 4000 euros. E ao vice-presidente do CDS e eurodeputado Nuno Melo paga 2000 euros mensais. Mais duas vergonhas, para a RTP e para os próprios (desconheço os montantes atribuídos a Mónica Ferro, deputada do PSD; Marco António Costa, vice-presidente do PSD; Carvalho da Silva, ex-secretário-geral da CGTP).

No meio disto, só há uma boa notícia: a nova Direcção de Informação decidiu erradicar este programa no fim do mês. Termina esta pouca-vergonha. E há mais: segundo apurei, Paulo Dentinho, Vítor Gonçalves e José Rodrigues dos Santos estão a ultimar uma reformulação do Livro de Estilo da informação da RTP que fomenta a opinião por especialistas, e não por políticos só por o serem, que impede a remuneração de políticos que forem à antena nessa qualidade e que políticos convidados imponham os temas a debater. Vão-se as luminárias, vem, enfim, um pouco de luz.

Peixeirada de ‘serviço público’
A RTP acabou com ‘Barca do Inferno’ (RTP Informação), outra invenção do ex José Manuel Portugal. À sombra do politicamente correcto, é um programa ultra-reaccionário: os ‘comentadores’ são só mulheres, por o serem; para ‘moderar’ inventaram o papel de palhaço, dado a Nilton, humorista sem graça.

A cena de peixeirada em que Manuela Moura Guedes (em tempos CDS) abandonou o programa em directo foi o corolário do modelo em que ela, uma representante oficial do PSD (S. Vala Rocha) e duas políticas espigaitadas, Isabel Moreira (PS) e Raquel Varela (‘extrema-esquerda’), falam ou gritam às vezes barbaridades sem ouvir as outras. E Nilton mostrou a sua falta de categoria ao insultar Manuela Moura Guedes.

Deserto de imaginação
‘O Homem do Saco’ (RTP 1) é um passatempo igual ao falecido ‘Sabe ou Não Sabe’: anda de terra em terra, dá dinheiro ao povo por perguntas de algibeira e embrulha com a prestação dum entertainer. Só mudou o humorista, agora Manuel Marques, do círculo do administrador de conteúdos da RTP. Interesse público? Zero.
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