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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Eduardo Cintra Torres

Ver em directo e ver em diferido

O visionamento diferido colmata a dificuldade na vida quotidiana de ver programas em directo.

Eduardo Cintra Torres 13 de Março de 2016 às 00:30
Quase 6% do consumo de TV em Portugal já é feito através do visionamento diferido. É um hábito que se vai enraizando. Usando as boxes ou gravando, em Janeiro 5,1 milhões viram um ou mais minutos em diferido no próprio dia da transmissão de programas e 4,5 milhões nos sete dias seguintes.

A alteração da medição das audiências aproximou da realidade o conhecimento do consumo de TV. Os canais generalistas, apesar de serem os mais vistos em conjunto, beneficiam menos do que os canais de cabo do visionamento diferido (‘time shift’ em inglês). Em percentagem de audiência, o visionamento diferido acresce aos canais de cabo mais cerca de 3,5%, enquanto os quatro generalistas aumentam até 2,5%.

Assim, diminuiu a diferença de consumo entre os generalistas e a TV paga. A tendência acentuar-se-á, pois só 13,4% dos lares familiares não dispõem de algum meio de aceder às alternativas aos generalistas. Com os equipamentos comprados ou alugados, vê-se em diferido o que se quer quando se quer.

Os números, que a Marktest Audimetria me disponibilizou, indicam que o visionamento diferido ocorre mais no próprio dia das transmissões do que em qualquer um dos dias seguintes. Este facto indica que, sendo a oferta tão grande, nos dias seguintes já há menos vontade de ver programas que passaram dias antes. O visionamento diferido colmata a dificuldade na vida quotidiana de se ver programas em directo: vêem-se em diferido minutos ou horas depois.

Todos os canais de cabo mais vistos têm audiência diferida, mas, dada a pequenez dos números, não é possível analisar em detalhe. Já no caso dos generalistas, verifica-se que SIC e TVI têm muito mais visionamento diferido do que a RTP 1. Tal dever-se-á não só ao maior interesse despertado pela programação dos privados mas também ao perfil de audiência mais envelhecido da RTP.

Todavia, passou na RTP 1 o programa com mais visionamento diferido em Janeiro: ‘Got Talent Portugal’ ocupou os três primeiros lugares do top 20 do visionamento diferido. Aparece seis vezes nesse top no total dos meses de Janeiro e Fevereiro. Nada que se compare, entretanto, com as 16 presenças de ‘A Única Mulher’, oito em cada mês. ‘Coração d’Ouro’ aparece oito vezes no top. O visionamento diferido é mais usado em programas de ficção, 32 em 40 nos dois meses (31 séries e um filme), seguindo-se os realities (‘Talent’ e ‘A Quinta’). Não há nenhum noticiário no top. Em Janeiro, o top dos diferidos coube apenas aos generalistas, mas em Fevereiro entraram no top seis programas da Fox (‘Walking Dead’ e ‘Ficheiros Secretos’) e um do Panda. Mais um sinal de mudança

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Televisão Digital (Extra) Terrestre
Com TV paga em 86,6% dos lares, a TDT serve apenas 13,4% dos alojamentos familiares. É justo e têm direito: a TV de acesso livre é, por lei, universal. O total de assinantes de cabo cresceu 167 mil em 2015. Esta realidade relativiza a questão do aumento do número de canais na TDT. Para quê? A TDT é já quase um extraterrestre. Para mais, passar do cabo para a TDT significa para um canal perda de receitas (pagas pelos operadores de cabo) e mais despesas (pagar para estar na TDT), que, previsivelmente, não são compensadas pelo aumento da publicidade, dado que o aumento de audiência é reduzido e restrito a lares envelhecidos e com menos poder de compra. Tenho por isso uma modesta proposta ao Estado: oferecer um pequeno pacote de TV a todos os 13,4% e alugar a bom preço as frequências digitais da TDT a operadores de comunicações. Saía mais barato a todos os contribuintes e disponibilizava-se mais canais sem complicar a actual "Questão TDT".

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Caso Sócrates: não vêem, não ouvem, não falam 
O Sindicato dos Jornalistas apressou-se a condenar pressões dum dirigente da bola a jornalistas. Sugeriu-lhes processos-crime. É bem estranho convidar jornalistas ao recurso à justiça. Mais estranho:o silêncio dessa agremiação política nada sindical sobre escandalosas acções de Sócrates e seus lacaios em jornais, TVI e ERC.
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