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Fernanda Cachão

Lisboa charme hotel

Agora levaram à letra o fado.

Fernanda Cachão 8 de Março de 2016 às 00:30
Agora levaram à letra o fado: ‘Ai Cais do Sodré/ ai Cais do Sodré/ mais vale parecer /que ser o que é’. Os bares-discoteca do agora menos malandro Cais do Sodré - Jamaica, Tokyo e Europa - vão fechar em abril. Obras deverão tornar os prédios em mais um negócio de mais um fundo imobiliário. Talvez o Jamaica se safe.

A especulação imobiliária passeia-se do Cais do Sodré ao Bairro Alto, da rua da Prata à dos Correeiros, dos Douradores, à 1º de Dezembro, à Nova do Almada, do Comércio à praça D. Pedro IV, subindo pelas avenidas. Fundos estrangeiros e grupos económicos estraçalham a capital para apartamentos e hotéis de charme, porta sim, porta não.

A Adega dos Lombinhos faria 100 anos; a loja da Fábrica de Sant’Anna já não deverá chegar ao centenário; a emissora católica ficará pelos oitenta no Chiado, depois do nº14 da Ivens ter sido comprado por chineses; o Palmeira, na rua do Crucifixo, já não fez 60 porque o prédio foi vendido em hasta pública, dizem que aos americanos.

Lisboa está a ser comprada para ser outra coisa qualquer. Quando isto tudo rebentar, lá se irá o charme mais os turistas, resta saber o que se fará aos hotéis.
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