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Fernanda Cachão

O nosso faqueiro

Ainda em tempos que estão mais de feição a carrinhos de rolamentos que a luxos, o Ministério dos Negócios Estrangeiros foi à loja que vende os rolls-royce da cutelaria portuguesa para comprar parte de um faqueiro.

Fernanda Cachão 19 de Janeiro de 2016 às 00:30
Ainda em tempos que estão mais de feição a carrinhos de rolamentos que a luxos, o Ministério dos Negócios Estrangeiros foi à loja que vende os rolls-royce da cutelaria portuguesa para comprar parte de um faqueiro. Vem na última página da edição de ontem – "Estado compra faqueiro por 75 mil euros."

Ficámos a saber que o contrato de aquisição por ajuste direto - esse expediente à medida de catitas - entre a secretaria-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros e a cutelaria foi celebrado poucos dias antes do Natal. Tudo certo por 74 778,45 euros mas, como é muita faca, tivemos curiosidade pela cutelaria à qual todos nós compramos meio faqueiro estilo D. João V.

Demos com este texto de 1891 escrito por Bordalo Pinheiro, uma joia elogiosa à referida cutelaria de Lisboa: "É uma pequena maravilha, uma oficina modelo, pela novidade, esmero e originalidade dos seus processos de fabrico, pela educação artística do seu pessoal, à compita com o melhor do género que se encontra no estrangeiro."

Por quase 75 mil euros, nem que já não houvesse talheres. Continuamos a preocupar-nos mais com as pratas do que com o que temos para servir à mesa.
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