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Fernanda Cachão

Os juízes e o truca-truca

A notícia é, agora, que a mulher que ficou incapacitada depois de ter sido operada na Alfredo da Costa, em Lisboa, vai recorrer ao tribunal dos direitos humanos por ter esperado 20 anos por justiça; e não por ter visto a indemnização reduzida por três juízes do Supremo Tribunal Administrativo com pobre ideia do ‘truca-truca’.

Fernanda Cachão 21 de Outubro de 2014 às 00:30

Tais juízes alegaram que a doente, então com 50 anos, estava numa "idade em que a sexualidade não tem a importância que assume em idades mais jovens".

E lembramo-nos da resposta de Natália Correia ao deputado João Morgado que disse ao hemiciclo que "o ato sexual é para fazer filhos".

Já que o coito – diz Morgado –/ tem como fim cristalino,/preciso e imaculado /fazer menina ou menino;/e cada vez que o varão/sexual petisco manduca,/temos na procriação/prova de que houve truca-truca./Sendo pai só de um rebento,/lógica é a conclusão/de que o viril instrumento/só usou – parca ração! (...)"

Mas o Supremo não só não deu relevo à questão sexual, como desprezou a incontinência urinária e fecal de que sofre a lesada há 20 anos – tempo em que esperou que se fizesse justiça.

Natália escrever-lhes-ia uns bons versos, senhores juízes.

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